Argentina amplia acordo com bancos e dólar recua
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terça-feira, 26 de março de 2002
Agência Folha 
São Paulo - Os argentinos passaram a noite em longas filas para comprar dólares nos bancos, mas o valor da moeda apresentou queda no começo das negociações de ontem. Após fechar cotado entre 3,65 pesos e 3,90 pesos anteontem, o dólar recuou para 3,55 pesos ontem. Já nos bancos, onde o dólar fechou a 3,10 pesos anteontem, o preço subiu para 3,20 pesos.
O Banco Central ampliou o acordo fechado com os bancos para a venda de dólares também para as casas de câmbio. O BC entrega os dólares para estas instituições com a condição de que não cobrem uma comissão superior a 5%. Como ontem os argentinos tinham dado preferência a comprar dólares nestas instituições, houve um recuo forçado da cotação da moeda.
No banco Nación, que faz parte do acordo com o BC, por exemplo, a fila começou a ser formada na madrugada. Anteontem, muitos argentinos chegaram a viajar de regiões distantes da Argentina para Buenos Aires, onde os bancos ofereciam preços menores pela moeda norte-americana. A população teme que o peso, que vem apresentando novos recordes de baixa desde a semana passada, continue em forte desvalorização.
A falta de confiança não foi revertida nem pelas medidas drásticas tomadas pelo BC ontem. Além do acordo com os bancos para vender dólares abaixo da cotação, o BC também determinou que as casas de câmbio operem apenas entre 11h30 e 15 horas (em vez das 10h às 17 horas) e só vendam até US$ 1.000 por pessoa. Na verdade, as casas de câmbio só estão vendendo US$ 500 aos clientes.
O BC também determinou que os exportadores liquidem os dólares obtidos com vendas ao exterior no próprio BC, em até cinco dias após o recebimento do pagamento. O prazo anterior era de 180 dias.
Para elevar a quantidade de dinheiro depositado nos bancos e reduzir a liquidez, o BC informou que vai voltar a permitir que sejam feitos depósitos em dólar no país, que haviam sido banidos desde o fim do regime de conversibilidade. Além disso, o BC vai obrigar supermercados, postos de gasolina, concessionárias de rodovias, cassinos e outras companhias a depositar diariamente nos bancos suas receitas em dinheiro.


