Argentina alonga dívidas e reduz sua taxa de risco
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segunda-feira, 07 de maio de 2001
Ariel Palacios Agência Estado De Buenos Aires 
O anúncio da megatroca de bônus da Argentina de curto prazo por outros de longo prazo, realizado no fim de semana, teve um impacto positivo nos mercados ontem. A Bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 0,41%. Os bônus tiveram uma alta generalizada. Enquanto que os bônus FRB subiram de US$ 83,75 para US$ 85,31, os Global 27 passaram de US$ 0,69 para US$ 0,70, e os bônus Par aumentaram de US$ 0,63 para US$ 0,65.
A taxa de risco da Argentina desceu de 1.030 pontos na sexta-feira passada para 987 pontos ontem. Desde o dia 20 de abril que o risco-país não descia do perigoso piso de 1.000 pontos. No 23 de abril chegou a ultrapassar 1.300 pontos, causando rumores de renúncia do ministro da Economia, Domingo Cavallo, de desvalorização do peso, a moeda argentina, e de suspensão de pagamentos da dívida externa. Nesse dia o risco-país fechou em 1.284 pontos. A perspectiva do governo é que nas próximas semanas caia para uma faixa entre 750 pontos e 850 pontos.
A quantia envolvida na operação de troca de bônus ainda não foi divulgada pelo governo. No entanto, diversos economistas como Juan Arranz, do Banco Río, sustentam que seria superior a US$ 20 bilhões.
Tampouco foi divulgada a comissão que o grupo de sete bancos receberá, mas afirma-se que seria de 0,55%. Esta comissão é considerada exorbitante por alguns analistas, que sustentam que a média das comissões nos mercados internacionais não ultrapassa 0,2%.
Diversos cálculos na city financeira de Buenos Aires sustentam que a participação na troca de bônus estaria dividida entre US$ 12 bilhões em bônus dos bancos criadores de mercado e organizadores, US$ 6 bilhões dos Fundos de Pensões e US$ 2 bilhões em bônus FRB. A realização da operação de troca ainda levaria algumas semanas.
Segundo o chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini declarou ontem, a operação de troca de bônus ocorreria em junho. No entanto, segundo o economista-chefe da Fundação Capital, Martín Redrado, para assistir a um impacto significativo nos mercados, será preciso esperar os detalhes da operação de troca de bônus. Nesse momento saberemos qual é o alívio financeiro que a Argentina terá, explica.
Redrado considera que os principais participantes dessa megatroca de bônus serão os proprietários locais de títulos, como os bancos e os Fundos de Pensão. Segundo o economista Arranz, entre 40% e 50% dos donos de bônus participarão da operação.
O economista Orlando Ferreres definiu a operação de troca como uma nova blindagem financeira, mas com efeitos mais longos que a blindagem concedida pelo FMI no início do ano. Segundo Ferreres, a troca de bônus possibilitaria três ou quatro anos de tranquilidade no pagamento da dívida.


