Argentina acusa o Brasil de 'protecionismo cambial'
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segunda-feira, 09 de março de 2009
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Basiléia - A Argentina acusa o Brasil de ''protecionismo cambial'' e de ter permitido a desvalorização o real como forma de ganhar competitividade para suas exportações. O presidente do BC, Henrique Meirelles, rejeitou a acusação, alegando que ''o câmbio é livre''. O tiroteio ocorreu ao mesmo tempo que os xerifes do sistema financeiro internacional tentaram mostrar, ontem, união contra o protecionismo e emitiram, na Basileia, um apelo conjunto para que governos evitem levantar barreiras financeiras ou comerciais.
Mas, assim que o encontro terminou, ficou claro que cada um entendia como bem queria o que era protecionismo. Para o presidente do BC argentino, Martin Redrado, não é apenas a elevação de barreiras comerciais que precisam ser tratadas. ''Um problema sério é o protecionismo de taxas de câmbio'', disse, sem mencionar diretamente o Brasil. Ele critica países que estejam permitindo uma desvalorização de suas moedas para serem mais competitivos em suas exportações, em uma espécie de desvalorização competitiva e repassando a crise a outras economias. ''Isso terá de ser tratado no G20'', afirmou.
Nas últimas semanas, cresceu a pressão do setor privado na Argentina por barreiras contra os produtos brasileiros. Hoje, a declaração acabou sendo um ataque velado contra a desvalorização do real que, passou de R$ 1,60 para US$ 2,30 entre o começo da crise e agora. Para os argentinos, medidas para elevar a competitividade em detrimento de vizinhos também podem ser considerada como um protecionismo.
''Não houve protecionismo cambial. O câmbio no Brasil é flutuante'', disse Meirelles. ''O BC não controla a taxa de câmbio. Portanto, a moeda reflete a realidade dos fluxos de capitais e das expectativas de comércio. Não há o que se falar em protecionismo quando há um câmbio livre'', afirmou.
''Nós defendemos e praticamos o livre comércio, além de achar que o protecionismo é negativo. Da mesma forma que o câmbio atingiu patamares que os exportadores brasileiros julgavam prejudiciais, hoje algumas empresas de outros países julgam que não atendem a seus interesses. Mas a taxa de câmbio não é feita para atender o interesse de nenhum setor. É flutuante e é o sistema que tem prevalecido no mundo'', disse Meirelles.
No geral, a preocupação dos BCs de todo o mundo hoje é de que o protecionismo acabe agravando ainda mais a crise e gerando tensões entre países. Diante desse cenário, pedem a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que estabeleceria novas regras.


