Os principais integrantes da equipe econômica do governo da Argentina disseram que a carta de intenções com o FMI deverá ser divulgada hoje ou amanhã. Durante uma conference call, eles afirmaram que já há um acordo em torno dos termos da carta, mas que falta finalizar alguns detalhes. Entre os participantes da conference call estavam o ministro da Economia, José Luis Machinea, o secretário do Tesouro, Mario Vicens, e o secretário das Finanças, Daniel Marx.
Segundo Vicens, o governo argentino não deverá ser capaz de alcançar um déficit fiscal superior a US$ 6,5 bilhões em 2001. ‘‘A possibilidade de uma execução normal do Orçamento é muito alta, porque as projeções de receita se basearam em estimativas muito conservadoras’’, afirmou. O Orçamento para 2001 prevê que a economia argentina cresça 2,5% no ano que vem.
Na avaliação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, o programa de ajuda internacional à Argentina tem como uma de suas principais vantagens o fato de não impor uma restrição fiscal muito forte de imediato. O país receberá ajuda de US$ 39,7 bi.
Ele lembrou que o programa de ajuste fiscal impõe limites para o volume de gastos globais, e não uma meta de resultado fiscal, como foi feito no caso do Brasil.
Na sua avaliação, ao evitar impor um ajuste fiscal com ‘‘excesso de restrições de curto prazo’’, o Fundo Monetário Internacional (FMI) procura não agravar a situação da economia argentina, que está em retração há dois anos.
Para o secretário, a consolidação da melhora na situação argentina será ajudada por mais dois fatores: a desaceleração suave da economia dos EUA e a desvalorização do dólar ante o euro.
O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Osvaldo Rial, disse que o socorro concedido pelo FMI ‘‘dará tranquilidade’’, mas ‘‘o país necessita também de um plano de reativação do mercado interno’’.
O setor fabril foi o mais castigado durante a abertura iniciada pelo governo do ex-presidente peronista Carlos Menem (1989-1999), com o fechamento de pelo menos 50.000 pequenas e médias indústrias.
O colapso da produção manufatureira se refletiu na queda de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB). Mas a tendência se aprofundou durante o governo da Aliança. A produção industrial caiu 5,8% entre novembro de 1999 e novembro deste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censo (INDEC).
O presidente da Câmara de Comércio, Jorge Di Fiori, disse que é fundamental que o governo realize reformas estruturais, ‘‘mas se for usada para pagar salários e gastar alegremente, somente estaremos adiando a crise e aumentando nossa dívida’’.

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