A Argentina reforçou ontem o movimento de alta que o dólar vem registrando nos últimos dias. A preocupação com a situação econômica do país vizinho encobriu as boas notícias vindas de Nova York, onde os índices de ações tiveram dia positivo, principalmente depois da divulgação da queda de 0,3% do PPI (índice de preços ao produtor) nos EUA.
No final do dia, o dólar fechou em alta de 0,66%, cotado a R$ 1,8370. No meio da tarde, o dólar atingiu a máxima de R$ 1,8380 (alta de 0,71%).
Operadores explicam que o dólar vem registrando seguidas valorizações em função da expectativa de elevação dos juros pelo Fed na próxima semana, do fluxo cambial negativo e da preocupação com a rolagem de mais de R$ 5 bilhões em títulos cambiais que estarão vencendo na última semana de maio. Além disso, o mercado também já vinha apontando a Argentina como um dos fatores de alta para o dólar.
Ontem, no entanto, uma notícia consolidou as preocupações dos analistas: o JP Morgan recomendou reduzir o peso da dívida externa da Argentina em carteira. O banco sugeriu a redução em 0,75% do peso da dívida externa argentina em relação à composição do índice de referência da dívida externa em países emergentes. Uma semana atrás, essa recomendação era neutra. A decisão do JP Morgan provocou uma queda nos títulos da dívida argentina, que chegaram a valer menos que os brasileiros.
O principal problema no país vizinho está na dificuldade de cumprimento das metas com o FMI. O déficit fiscal de abril, de US$ 630 milhões, está próximo dos US$ 700 milhões previstos para todo o segundo trimestre. Para gerar fluxo de caixa, o governo De la Rúa decidiu modificar o pagamento antecipado em quotas de impostos, causando insatisfação no setor privado.
A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o pregão de ontem em queda de 0,27%, nos 14.458 pontos, e movimento de R$ 770 milhões, em dia de muita oscilação. Por volta das 14h30, a Bovespa operava em alta de 0,74%, embalada pelo comportamento positivo das bolsas norteamericanas. Mas a recomendação do JP Morgan sobre papéis da dívida externa da Argentina em carteira, divulgada às 14h32, lançou a Bovespa em território negativo. Com a queda de ontem, a Bovespa passou a acumular perdas de 6,94% no mês e de 15,4% no ano. Nos EUA, a Nasdaq e o Dow Jones fecharam em a alta, de 0,84% e 0,60%, respectivamente.

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