Áreas para girassol marcam início do biodiesel
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quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
As regiões Norte, Noroeste e Oeste do Paraná sediarão na próxima safrinha as primeiras 27 unidades experimentais de girassol no Estado. O objetivo é checar a viabilidade econômica e o zoneamento climático mais favorável ao desenvolvimento da oleaginosa. O teste marcará, na prática, o início do Programa de Produção e Uso do Biodiesel desenvolvido pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab).
Hoje, 40 técnicos da Emater e Iapar encerram um curso de capacitação para desenvolvimento do girassol e nabo forrageiro, na sede do Iapar, em Londrina. Segundo o engenheiro agrônomo Richardson de Souza, técnico do Departamento Rural (Deral) e coordenador do Programa, a região Centro-Oeste e Sul do País foram escolhidas para investir na pesquisa com o girassol, o Norte ficará com o dendê e o Nordeste com a mamona. O governo paranaense pretende utilizar o etanol na transesterificação (processo que mistura um óleo vegetal ou animal a um álcool para produzir biodiesel e glicerina) para baratear o combustível alternativo e melhorar a qualidade do ar. ''Queremos incluir nesse sistema os pequenos produtores rurais que poderão aproveitar a oportunidade para melhorar sua renda e, talvez, gerar empregos'', completou o agrônomo ao confirmar a possibilidade de usar o óleo de fritura nesse processo.
A Embrapa Soja é o principal detentor da tecnologia no cultivo de girassol no Brasil e será a responsável pela transferência de conhecimentos aos técnicos agrícolas que, por sua vez, orientarão os produtores rurais. Paralelamente, o Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) desenvolverá os métodos industriais para desenvolvimento do biodiesel.
De acordo com Cláudio Carvalho, doutor em genética e pesquisador da Embrapa Soja, o grão de girassol rende 43% a 45% de óleo enquanto a soja não passa de 20%. No entanto, ela é a principal commoditie brasileira e, por isso, ganhou preferência na distribuição de áreas cultiváveis. O produtor que aderir à experiência ficará com 20% do óleo extraído para alimentar a família e com o subproduto também conhecido como torta que é misturado à ração dos animais. Para isso, o Estado investirá R$ 400 mil na compra das prensas que serão emprestadas aos parceiros. Esse montante é parte dos R$ 3,6 milhões que o Paraná aplicará nesta primeira fase do Programa.
A segunda etapa é atrair indústrias interessados em participar dessa cadeia produtiva para garantir a continuidade do Programa. Ao contrário do Pró-Álcool, Souza acredita que a época é mais favorável ao surgimento de um combustível alternativo devido à preocupação com o meio ambiente e o fim das reservas de petróleo.


