Dificilmente o Movimento dos Sem-Terra vai encontrar áreas improdutivas em fazendas de pecuária de corte, no Paraná, como alvo para futuras invasões de terra conforme foi noticiado esta semana. A afirmação é do médico-veterinário da Secretaria da Agricultura, Adelio Ribeiro Borges, que acompanha o setor de pecuária de corte no Estado. Ele admite que o Estado tem muitas fazendas de pecuária de corte, principalmente localizadas na região Noroeste, Londrina, Guarapuava e Palmas com áreas acima de 500 hectares. Mas os produtores estão associando a ocupação da pecuária com a agricultura para reduzir custos e compensar perdas de produtividade, ressalta.
Além disso, os pecuaristas recorrem às técnicas de manejo de pastagens para evitar que o boi emagreça durante a entressafra. Essas técnicas podem dar a idéia de que a propriedade está vazia, o que não é o caso. Adélio Borges explica que principalmente no período, que vai de julho a outubro, as propriedades ficam com menos cabeças no pasto. Isto porque o pecuarista retira parte do rebanho, entre 2,5 e 3,5 anos de idade para ser terminada em confinamentos. Portanto essa estratégia reduz a lotação no pasto, mas a rotatividade do rebanho revela que o número de cabeças na propriedade continua o mesmo, justificou.
Outra medida adotada pelo pecuarista para reduzir seus custos durante a entressafra é o pasto vedado. Segundo o veterinário, o pecuarista escolhe uma área com a gramínea colonião e a deixa crescer até a altura máxima de 2 metros, aproximadamente. Durante o período de crescimento da gramínea, os animais não vão para essa área, dando a idéia de abandono e falta de ocupação. Ocorre que durante a entressafra, o pecuarista solta os animais nessa área que passam a usufruir de alimentação farta, apesar da época. Essa técnica é muito utilizada em área de pecuária de corte intensiva que predomina na região do Vale do Paranapanema, Guaíra, Umuarama e outros municípios do Noroeste.
Isso não significa que a produtividade da pecuária de corte no Paraná seja excelente, frisou Borges. Pelo contrário, desde 1995 a atividade não vem dando mais lucros como ocorria até o final de 1994. Por isso, os pecuaristas adotaram o modelo consorciado entre pecuária de corte e cultivo de grãos para aumentar os ganhos e reduzir prejuízos, enquanto não adota tecnologia suficiente para tornar a atividade rentável como era antes, explicou o técnico.

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