Área plantada não deve crescer, diz ministro
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quinta-feira, 14 de outubro de 2004
Gustavo Porto<br> Agência Estado 
São Paulo O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, avaliou ontem que a área plantada na safra de grãos 2004/05, em fase de cultivo, não deverá crescer no País, considerando levantamento preliminar feito pelos técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estão no campo. A divulgação da primeira estimativa de intenção de plantio da safra 2004/05 será feita pelo governo na próxima quinta-feira, dia 21. Rodrigues acrescentou, ainda, que o nível de tecnologia aplicada na agricultura também será menor. ''Portanto, vamos ter de depender do clima, que pode suprir essa diferença tecnológica'', disse o ministro.
Rodrigues alertou que o agricultor brasileiro terá um cenário de sacrifícios nas próximas duas safras. De acordo com ele, o cenário é formado pelo aumento ''espetacular'' dos custos de produção nos últimos 12 meses, aliado a uma supersafra de grãos nos Estados Unidos e até mesmo na Europa. ''Houve um crescimento de 20% nos custos de produção, na média dos últimos 12 meses, enquanto os preços recebidos pelos produtores desabaram, o que significa um sacrifício da renda para o próximo ano'', observou o ministro.
Rodrigues considerou que este cenário de sacrifícios é verificado principalmente nas culturas de grãos. Segundo ele, outras commodities, como café e açúcar, que terão demanda maior do que oferta no próximo ano, já apresentam sinalizações positivas de pre ços para 2005.
Carnes - Rodrigues afirmou que a suspensão do embargo russo à carne brasileira não deve ter uma solução de curto prazo. Segundo ele, os russos demorarão pelo menos três semanas para analisar o questionário respondido pelas autoridades brasileiras em relação às questões sanitárias no País.
''Conversei com membros da missão que esteve na Rússia no início desta semana e a situação está muito ruim. Eles receberam o questionário respondido, que será analisado, e só depois vão deliberar sobre o fim do embargo'', afirmou. ''Mas não é uma solução para o curto prazo'', acrescentou o ministro, que fez questão de elogiar o apoio diplomático dado pelo Itamaraty nessa questão.
Biocombustíveis - Rodrigues anunciou que foi adiada para o próximo dia 5 de novembro a assinatura do convênio entre o governo federal e a Universidade de São Paulo (USP) para tornar viável a instalação do Pólo Nacional de Biocombustíveis na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP).
Segundo o ministro, a assinatura do convênio, que ocorreria ontem, foi cancelada porque ela prevê a transferência de recursos federais para a universidade, o que é proibido em virtude das eleições municipais. ''Vamos aproveitar, no entanto, essa minha estada em Piracicaba para formalizarmos os últimos pontos desse tema, como determinar uma comissão provisória para cuidar do Pólo e definir a utilização de uma mão-de-obra da Embrapa para ajudar'', disse Rodrigues, que transferiu seu gabinete para a sede da Esalq, escola na qual ele se formou em 1965, onde permanece até sábado durante as comemorações da Semana Luiz de Queiroz. O Pólo Nacional de Biocombustíveis pretende centralizar todas as pesquisas e definir quais as prioridades do setor no País.


