Cada vez mais a soja, o arroz e o milho dividem a paisagem com a pecuária em Estados como o Pará e o Tocantins. No Pará, a área plantada com soja cresceu 110% da safra 2002/2003 para 2003/2004, embora ainda seja muito pequena – 32,6 mil hectares – se comparada à de Mato Grosso por exemplo, que produz em 5,126 milhões de hectares. No Tocantins, a área de soja é de 214,7 mil hectares, um aumento de 45% em relação a safra passada.
  Os produtores que migram para essa região optam prioritariamente por comprar antigas fazendas de pecuária, com pasto degradado. O Rally encontrou vários desses casos no Sul do Pará e nas regiões de Pedro Afonso e Gurupi, no Tocantins. No sul do Pará, por exemplo, existem 12 milhões de cabeças de gado, na parte do Estado abaixo da cidade de Marabá. A criação é extensiva, com menos de 1 cabeça por hectare, o que deixa muita terra disponível para agricultura.
  Mas o que mais atrai os produtores do Sul do Brasil é a proximidade da região com o chamado corredor de exportação norte, com ligações das ferrovias Norte-Sul e da Vale do Rio Doce para o Porto de Itaqui, em São Luís (MA).
  Redenção é considerada uma novíssima fronteira da soja dentro do Pará. Mas a onda agrícola tem um limite: a legislação ambiental. Quem abre áreas na região amazônica precisa preservar 35% da cobertura nativa em caso de cerrado e 80% em caso de mata. A parte mais explorada na região é Santana do Araguaia, onde a área com soja supera 3 mil hectares.
  O consultor e agrônomo Afif Al Jawabri, dono da revenda de insumos agropecuários GranJawabri e representante da Bunge Fertilizantes em Redenção propõe o uso dos cerca de 3 milhões de hectares de pasto degradados no Sul do Estado. ‘‘O ideal é que essa terra fosse usada para a agricultura’’, diz.
  Para Leonir Rossetto, um dos agricultores de Redenção, é preciso fazer o zoneamento agroecológico da região. Com isso, afirma, seriam criadas áreas contínuas de preservação. ‘‘Mesmo com todos os gargalos, a agricultura vai acontecer por aqui, mais cedo ou mais tarde’’, conclui.
  Al Jawabri conta que um grupo de produtores do Sul do País comprou 23 mil hectares no pólo de Redenção em 2003. Devem iniciar a produção na próxima safra. Ele estima que a área de agricultura na cidade vá dobrar em 2004/05.

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