Área plantada com trigo cresceu 9% no Estado
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Graças ao clima favorável, 92% das lavouras de trigo paranaenses encontram-se em boas condições. A cultura ocupa, nesta safra, uma área de 1,17 milhão de hectares (ha), o que indica crescimento de 9%. Até o início da semana, 76% das lavouras já tinham sido plantadas, informou ontem Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
A produção do Estado deve atingir 2,7 milhões de toneladas. O valor é 72% superior ao total produzido no ano passado, quando fatores climáticos resultaram em quebra de 32%. Segundo o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, as lavouras começam a entrar na fase de suscetibilidade a geadas, que é o principal motivo de preocupação dos produtores a curto prazo. Setenta e sete por cento da área encontram-se em fase de desenvolvimento vegetativo, 21% em germinação e 2% em floração.
Ele explicou que o crescimento da área de trigo, este ano, decorre da boa liquidez obitida pelo grão no ano passado, quando a saca chegou a ser cotada em R$ 38,00. Hoje, o produtor recebe R$ 28,00 pelo produto, valor que empata com o custo operacional médio das lavouras paranaenses.
O produtor Edison Mazei Ponti, de Londrina, afirmou que a atual cotação não traz lucros ao agricultor. Com custo de produção em torno de R$ 30,00, ele disse que só plantou trigo porque não conseguiu colher a soja a tempo para semear o milho safrinha. ''Apesar da cotação do trigo ser mais alta, o milho custa menos e produz mais'', analisou ele, que plantou 100 ha de trigo.
Para Ponti, a cultura do trigo encontra-se em um ''espiral de insucesso'', pois, como o preço não remunera, o produtor não investe em tecnologia. ''Além disso, não há pressão para o desenvolvimento de pesquisa'', criticou. Segundo ele, a solução estaria na instituição, por parte do governo, de compra antecipada com opções antes do período de plantio. ''Assim o produtor seria incentivado a plantar'', disse.
Normalmente, o governo lança os contratos de opção para o trigo na época de comercialização, se a cotação fica abaixo do preço mínimo de R$ 24,00. Para este ano, porém, o mercado acredita que não haverá necessidade do governo intervir. ''O preço deve ser remunerador, acima de R$ 30,00'', afirmou Flávio Turra, técnico da gerência técnica do Sindicato e Organização das Cooperativas Paranaenses (Ocepar).
Segundo ele, a perspectiva positiva decorre dos bons preços do trigo no mercado internacional, o que obrigaria o comprador interno a pagar o mesmo valor pelo produto nacional. Por outro lado, a desvalorização do dólar pode derrubar as cotações no mercado interno.
Ele explicou, ainda, que o trigo faz parte de um sistema de produção que inclui também as lavouras de verão e, por isso, não pode ser analisado individualmente. Como deixar o solo descoberto também implica em custos, o produtor acaba optando pelo plantio.
Segundo Otmar, do Deral, mesmo sem lavoura é necessário manter a propriedade livre de ervas daninhas. Além disso, sem plantio as máquinas e a mão-de-obra ficariam ociosas e aumentaria o risco de erosão: ''Como evita a depreciação da propriedade, acaba compensando.''


