Área plantada com milho é a menor em 30 anos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de outubro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nesta safra de verão que se inicia, a cultura de milho no Paraná deverá ocupar uma área de 1,25 milhão de hectares, a menor dos últimos 30 anos. Isso não significa que o Paraná vai perder sua condição de maior produtor de milho. O produtor só está transferindo o plantio para a segunda safra (safrinha), que é plantada a partir de abril e se desenvolve durante o período do outono e inverno, disse a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
Com a prorrogação do plantio de milho para o período da safrinha, cada vez mais o produtor ocupa a safra de verão para plantar soja no Estado, uma cultura que lhe garante mais liquidez no mercado. De acordo com Vera, o produtor se sente inseguro em apostar na cultura do milho durante a primeira safra. Para que essa situação seja revertida, a técnica salienta a necessidade de modernizar a comercialização do milho, como aconteceu com a soja.
Desde a primeira estimativa de plantio da safra de verão 2004/2005, o Deral reduziu as previsões para o plantio de milho duas vezes. A primeira avaliação, ocorrida em julho, previa uma queda de área de 4,3%. Na segunda estimativa, a redução prevista aumentou para 5% e a última estimativa prevê uma queda de 7,3% na área plantada. Em condições normais de clima, a área plantada deverá render uma colheita de 7,06 milhões de toneladas, 8% inferior à colheita da safra anterior quando foram colhidas 7,66 milhões de toneladas.
A decisão do produtor em transferir a maior parte do plantio de milho para o período da safrinha mudou todo o esquema de comercialização da cultura. O mercado passou a ficar dependente do resultado da segunda safra, vulnerável às perdas por causa dos riscos climáticos, explicou Vera. O consumo de milho no Estado está avaliado em 7,5 milhões de toneladas e a demanda interna em 11 milhões de toneladas, considerando os estoques e as compras para outros estados.
Outra inversão na comercialização de milho, apontada pela técnica, está no comportamento dos preços que passaram a ficar maiores no primeiro semestre, quando tradicionalmente eles caíam porque o período era de safra. Agora, dependendo do resultado da safrinha, o preço do milho fica menor no segundo semestre.
É o que está ocorrendo este ano. Mesmo com uma previsão de exportação de 5 milhões de toneladas de milho, o mercado ainda está com boa oferta do grão, o que justifica a queda de preços, disse Vera. Esta semana, o preço do milho pago ao produtor atingiu R$ 15 a saca, uma queda de 4% em relação há 15 dias, quando o grão foi cotado a R$ 15,61 a saca.
No curto prazo, não há perspectivas de mudanças no mercado de milho, disse a técnica. O câmbio não está estimulando as exportações e a colheita da safra americana já iniciou, o que pode influenciar uma estabilidade no mercado externo. Se persistir a estiagem por mais algumas semanas, os produtores deverão intensificar a migração do plantio para a soja.


