A redução no plantio de milho no Paraná poderá ser ainda maior do que o previsto. Só na região Oeste, onde se concentram os produtores tecnificados, a área plantada será 30% menor em relação à safra passada. E a produção do grão também deve cair 38%. Em Campo Mourão, outra região tradicional na rotação de culturas milho e soja, os produtores vão reduzir o plantio do milho em 30,5%.
Os produtores estão desestimulados com os baixos preços alcançados pelo grão durante todo o primeiro semestre deste ano e decidiram reduzir a área plantada. A redução no plantio vai comprometer o abastecimento das indústrias em 1998, que terá como consequência o encarecimento dos preços do frango e suíno no mercado interno, prevê Norberto Ortigara, diretor do Departamento de Economia Rural da Seab.
Segundo a estimativa oficial da Seab, a queda no plantio em todo o Estado é de 15,74% em relação ao ano passado. Na safra anterior a área ocupada atingiu 1,81 milhão de hectares e na safra 97/98 não deverá ultrapassar 1,53 milhão de hectares. Ortigara acredita que a queda de área poderá ser ainda maior se até o período de intensificação do plantio, previsto para setembro, os preços não evoluírem no mínimo entre 15% e 20%. O analista Paulo Molinari, da agência Safras e Mercados, não acredita numa redução superior a 15% para o Estado todo porque a necessidade de rotação de culturas impede uma queda no plantio. Ele acha que a perda de 280 mil hectares já é muito grande e é difícil imaginar um agravamento da situação.
Em consequência da redução no plantio a produção estadual de milho também deverá cair drasticamente. Na safra anterior foram colhidas 6,77 milhões de toneladas e na safra 97/98 a previsão é colher 5,4 milhões de toneladas, ou seja, 1,37 milhão de toneladas a menos. Na região Oeste a produção cai de um milhão de toneladas colhidas na safra anterior para 660 mil toneladas nesta safra. Essa redução, que poderá se acentuar ainda mais, é perigosa para o planejamento estratégico das indústrias que passam a depender do desempenho da safrinha, que é de risco, alertou o diretor do Deral.
A safrinha de milho plantada em março tem sido a opção dos produtores que apostam na soja ou outras culturas durante a safra normal. O espaço ocupado pela cultura vem se ampliando desde que a compra do trigo deixou de ser monopólio do Estado e passou a enfrentar os desafios do mercado. Assim os produtores passaram a apostar mais no desempenho da safrinha, embora essa dependência torna o mercado vulnerável, argumentou Ortigara.
Além da redução de área a produção de milho também deverá ser prejudicada pela queda na produtividade das lavouras, uma vez que os produtores mais tecnificados estão migrando para a soja. O rendimento médio esperado para essa safra, segundo o Deral é de 3.550 quilos por hectare, inferior à produtividade média obtida no ano passado que foi de 3.722 quilos.

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