Área menor e produtividade maior
A área plantada do Paraná neste ano deverá ser de 513 mil hectares, três mil a menos do que foi registrado no ano passado. Porém, a produção deve ficar em 811 mil toneladas de feijão, 27 mil a mais do que se comparado a 2010. Marcelo Eduardo Luders, da Correpar, explica que apesar da diminuição de área, houve um significativo aumento na produtividade neste ano devido ao volume de chuva. ''Porém, o produtor não tem o que comemorar, pois os preços serão mais baixos'', argumenta.
Em 2010, o preço médio do feijão carioca foi de R$ 140 a saca, contra R$ 90 deste ano. O rajado terminou 2010 a R$ 130, hoje se encontra a R$ 75. O feijão preto fechou 2010 a R$ 90, R$ 20 a mais do que esse ano. Luders explica que 2010 foi um ano atípico porque as lavouras enfrentaram uma seca severa, diminuindo a produção e elevando os preços. Nesse ano, as fortes chuvas de janeiro ajudaram mas, ao mesmo tempo, prejudicou a produção. Entretanto, Luders destaca que o produtor paranaense se recuperou rapidamente, não influenciando os preços.
O corretor afirma que os preços atuais do feijão não estão atrativos pois, segundo ele, o produtor praticamente vai ''pagar para trabalhar''. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), o custo de produção no Estado está em R$ 89,75 para uma produtividade de 28 sacas por hectare.
Para o engenheiro agrônomo da Seab, Carlos Salvador, essas oscilações de preços são normais nesse mercado. ''O pequeno produtor é fiel à atividade, mas os médios e os grandes deixam de plantar quando o preço do grão não é vantajoso. Por causa disso, o volume de uma safra para outra tem grande variação'', completa.
Além da falta de um preço competitivo no mercado interno, o produtor Eduardo Medeiros reclama da importação brasileira de feijão preto da China. De acordo com ele, esse é um outro agravante que tem depreciado os preços do produto no Brasil. Segundo o produtor, os baixos preços pagos aos agricultores de feijão preto se dá pelo aumento de compra de produtos chineses. ''É preciso que o Brasil crie medidas antidumping para equacionar esse mercado porque quem está perdendo é o pequeno agricultor'', conclui Medeiros. (R.M.)





