Área do Colossinho vale R$ 3 milhões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de outubro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Após avaliar o terreno do ex-Colossinho, na área central de Londrina, declarado de utilidade pública pela prefeitura e onde a Wal-Mart quer construir um supermercado, imobiliaristas de Londrina concluiram que o imóvel vale a metade do preço firmado em contrato de compra e venda entre a multinacional e a Taveri Participações e Serviços, proprietária do imóvel.
De acordo com Sebastiana Maria Liz Wawerlg, asssessora imobiliária da Taveri, a área estaria sendo negociada por R$ 6 milhões. Raul Fulgêncio, proprietário da imobiliária que leva seu nome, afirmou que o terreno vale aproximadamente R$ 3 milhões. Ele pediu para mais três imobiliárias locais analisarem o imóvel e conseguiu valores parecidos.
Fulgêncio tomou a iniciativa de avaliar o preço do terreno por temer desperdício de dinheiro público, já que o imóvel foi declarado de utilidade pública para construção do teatro municipal. ''Caso o terreno não seja vendido para a Wal-Mart, a prefeitura não deve se pautar por esse valor para indenizar o proprietário da área'', disse.
Gabriel Ribeiro de Campos, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), informou que se a desapropriação se confirmar, o município vai pagar o valor real pelo terreno, definido por uma comissão de avaliação pública. ''A desapropriação é feita de acordo com o valor apurado pela comissão e não pelo preço estabelecido pelo dono do imóvel.'' Ele considerou sensata a preocupação dos imobiliaristas. ''Como são da área, têm grandes chances de acertar'', acrescentou.
Sebastiana, representante dos donos do ex-Colossinho, não concorda com a avaliação dos corretores de Londrina. Segunda ela, se a prefeitura não voltar atrás na decisão de desapropriar o imóvel, a Tavari vai entrar com ação judicial para manter o valor pré-negociado com a Wal-Mart. ''Se o prefeito não revogar a declaração de utilidade pública, vamos acatar a decisão, mas quem vai decidir o valor é a Justiça'', garantiu. A assessora também afirmou que a Tavari não tem preferência sobre os compradores: ''Para nós tanto faz, desde que os R$ 6 milhões sejam pagos.''
Campos afirmou que o decreto de utilidade pública está em plena vigência. ''Hoje, o terreno está declarado de utilidade pública para construção do teatro'', confirmou, lembrando que a prefeitura ofereceu outras áreas à Wal-Mart, que recusou os locais. ''Nesse momento, o prefeito também não tem intenção de voltar atrás em sua decisão. Mas não significa que a decisão seja definitiva.''
Após declarar uma área de utilidade pública, a prefeitura só pode tomar posse do imóvel após o processo de desapropriação. Para isso, o prefeito tem que apresentar à Câmara Municipal um projeto de lei propondo a transação. O projeto deve conter o valor de desapropriação, definido pela comissão de avaliação pública. O imóvel só pode ser desapropriado depois que o legislativo aprovar a lei.


