A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a área plantada do trigo no Brasil será entre 20% e 30% maior que a cultivada no ano passado, o que garantirá uma produção de 3 milhões de toneladas do produto, contra os 2 milhões de toneladas produzidas em 1998, quando foram importadas 6,4 milhões de toneladas. Os resultados esperados são a importação do trigo em menor quantidade e melhores condições de mercado para a comercialização da produção interna. O presidente da Companhia, Eugênio Stefanello, garante que não faltará de semente.
Segundo Stefanello, a desvalorização do real possibilitará o aumento da receita para os produtores, o que torna atrativo o cultivo do trigo. Outro reflexo previsto é a procura dos moinhos pelo trigo nacional, já que a alta do dólar encarece o produto importado.
Para os que defendem que o aumento da produção nacional não garante interesse dos compradores pela produção brasileira - apesar do encarecimento do trigo importado continuam vigorando as vantagens do mercado internacional - Stefanello afirma que a situação será inversa. ‘‘Pequenos moinhos vão procurar o trigo nacional porque já estão enfrentando dificuldades para importar o produto, resultado da restrição das linhas de crédito’’, diz. Muitos moinhos, comenta, enviaram cartas à Conab falando dessas dificuldades e pedindo informações sobre os estoques da Companhia. ‘‘O aumento do dólar mudou a conjuntura de concorrência desleal entre o trigo internacional e o produzido no País.
Quanto a possibilidade de faltar sementes, Stefanello garante que o estoque é suficiente. ‘‘Temos sementes de padrão B’’, diz. ‘‘Se for necessário, o plantio será aprovado pelo Ministério da Agricultura e pelas comissões estaduais de sementes. Apesar de terem menor poder de germinação, Stefanello justifica que as sementes de padrão B são de boa qualidade genética. ‘‘Nessa situação, é melhor plantar esse tipo de semente do que não plantar.

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