ArquivoEm quedaParanaenses vão plantar menos trigo na safra deste ano Pelo segundo ano consecutivo o Paraná reduz o plantio de trigo. A Secretaria da Agricultura prevê que a safra 98 será 15,7% menor do que a do ano passado. A área cai de 898.300 ha, em 97, para uma intenção de plantio de 757.000 ha, este ano. Há dois anos, na safra 95/96, o plantio atingiu 1.038.000 ha. A redução no período é de 27,1%, comparou Otmar Hubner, técnico do Deral.
O motivo para o desânimo dos produtores em relação ao trigo é a falta de mercado e, consequentemente, o preço em queda livre. Hoje o produtor está recebendo R$ 9,30/saca, uma queda de 37% em relação a junho de 1996, quando o o produtor recebeu, em média, R$ 14,74/saca. No ano passado, na mesma época, a cotação já havia caído para R$ 10,32/saca. Hubner calculou que o preço pago esse ano está 14% abaixo do custo de produção, avaliado em R$ 10,80/saca.
No ano passado já foi difícil comercializar o produto porque os moinhos preferiam comprar o importado, conseguindo vantagens nos prazos de pagamento e taxa de juros inferior à praticada no mercado interno. Para evitar prejuízos ao produtor, o governo adotou o Prêmio de Escoamento da Produção (PEP), que emite bônus para as indústrias comprarem o trigo nacional, garantindo o pagamento do preço mínimo ao produtor.
Este ano, o problema se repete, segundo Otmar Hubner. ‘‘Continua faltando mercado porque os moinhos estão se abastecendo em outras praças, para conseguir vantagens financeiras’’, disse. ‘‘O governo socorreu novamente o produtor por intermédio dos leilões do PEP, inclusive com um atraso por falta de dinheiro para o subsídio’’. O técnico lembrou que os leilões que estão sendo realizados ajudam a desovar os estoques, mas não solucionam mais as finanças do produtor, que está plantando com o mesmo preço mínimo de R$ 157,00/tonelada, fixado há dois anos.
A Ocepar fez um calculo sobre as vantagens financeiras obtidas pelos importadores de trigo e concluiu que, no último ano, eles tiveram uma economia de R$ 63 milhões, considerando apenas os juros mais baixos e prazo mais longo para pagamento. Esses recursos dariam para comprar 400 mil t de trigo, que corresponde a 17% da produção nacional, comparou Flávio Turra, técnico da Ocepar.
Regiões prejudicadas O levantamento feito no campo pelos técnicos da Secretaria da Agricultura apontam que a região Oeste terá uma queda acentuada no plantio de trigo no Estado. O Deral prevê uma redução de 21%, que corresponde à eliminação de 62.000 ha.
No Centro-Oeste, a redução será de 26%, com 43.000 ha a menos. A região Sudoeste terá uma queda de 12% no plantio, que corresponde a 9.000 ha, e a região Sul, uma redução de 14%, com 12.000 ha a menos.
As menores perdas são na região Norte, com redução de 5% e perda de 14.000 ha de plantio e no Noroeste, com perda de 33%, que deve reduzir em 4.000 ha o plantio de trigo na região.

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