Área de plantio pode ser reduzida em 30%
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segunda-feira, 29 de maio de 2006
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em reunião realizada ontem em Curitiba, representantes de entidades vinculadas à Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) aprovaram uma pauta de sugestões a ser enviada à Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Amanhã, a CNA realiza reunião para discutir uma posição do setor diante das medidas de apoio à agricultura divulgadas pelo governo federal na semana passada.
As ações anunciadas pelo Ministério da Agricultura foram consideradas insuficientes pelos produtores rurais. Segundo Carlos Augusto Albuquerque, assessor econômico da Faep, a federação enviará à CNA uma série de sugestões: que uma eventual mobilização para exigir medidas mais eficientes do governo federal tenha caráter nacional; que a CNA faça uma campanha para redução de 30% da área de plantio; que sejam fechados os principais portos brasileiros de exportação de grãos; que cessem os bloqueios de rodovias, mas que seja impedida a saída de cargas das cooperativas produtoras de cereais e agroindústrias; e que sejam realizadas campanhas para ''eleição de candidatos comprometidos com a agropecuária''.
Também amanhã, representantes do setor devem se reunir com o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara Federal, Abelardo Lupion (PFL), com o objetivo de discutir métodos para requisitar ampliação das medidas de apoio aos produtores. A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) informou em nota que são necessárias mudanças estruturais para recuperar a agricultura brasileira, como desoneração tributária e um programa de garantia de renda mínima.
Comprometimento -Na avaliação do presidente da Faep, Ágide Meneguette, houve avanços no Plano de Safra - como a inclusão do seguro rural, mais recursos para comercialização - e em medidas estruturais, que podem reduzir os custos. Mas em relação às dívidas, as medidas de alongamento não foram suficientes. ''Como não há previsão de renda, em face da desvalorização do dólar - a capacidade de pagamento está comprometida, mesmo com todos os alongamentos. Além do mais, quem vai ter garantias para dar em valor suficiente para refinanciar quatro, cinco safras, mais o custeio das próximas safras?'', pergunta Meneguette.
Na avaliação do presidente da Faep, ''os agricultores não estão em condições de arrumar as finanças para alcançar o excelente Plano de Safra que o Governo anunciou. É preciso alongar os débitos em pelo menos 20 anos, para que os agricultores possam absorver os prejuízos e pagar dívidas acumuladas nas últimas quatro safras''.
Os prejuízos dos agricultores começaram a se acumular na safra de inverno de 2004, quando houve quebra por causa da estiagem e diminuição dos preços pagos ao produtor, em virtude do dólar desvalorizado. Safra após safra, o agricultor vem acumulando um passivo junto a fornecedores de insumos, cooperativas e sistema financeiro.
Um estudo feito pelo Departamento Econômico da Faep mostra que hoje as dívidas representam 187% do valor da receita de uma safra. ''Se tivéssemos daqui para frente boas safras, com preços estáveis e câmbio ajustado, o produtor precisaria reservar 10% de sua renda para pagar a dívida em 20 anos'' avalia Jefrey Albers, economista da Faep. ''O que o Governo propõe é uma carência de 12 meses a dois anos e prazos máximos de cincos para quitar todos os débitos. É financeiramente impossível'', conclui. (Com agências)


