Vânia Casado
O desânimo domina os produtores de feijão. No Sudoeste do Paraná o plantio da primeira safra começa na segunda quinzena de julho, mas o desaquecimento na venda de sementes e insumos revelam que o produtor vai reduzir a área plantada na safra 1999/2000, disse Edirlei Salvi, gerente da Cooperativa Agropecuária Capanema (Coagro). O mercado fala em redução de até 40% na área plantada do Estado. O corretor de mercado, Marcelo Luders, não acredita que a queda no plantio seja tão acentuada,‘‘mas certamente os produtores vão reduzir a aplicação de tecnologia nas lavouras’’, prevê.
A oferta de feijão no país é abundante e o governo ‘‘abandonou’’ o produtor de feijão, deixando a comercialização sem qualquer instrumento de apoio. Para agravar a situação, o governo está comprando feijão para suprir as cestas básicas que envia para o Nordeste, mas não paga o preço mínimo aos produtores, disse Luders. Ele observou que o governo está agindo como qualquer agente de mercado, adquirindo o produto nos leilões eletrônicos promovidos pela Cobal, pagando valores depreciados pelo produto.
No último dia 16, o governo comprou 7.500 toneladas de feijão em leilão e pagou R$ 28,20 a saca ao cerealista, incluindo todas as despesas para entrega no Rio Grande do Sul, e R$ 31,20 a saca, incluindo as despesas para entrega no Nordeste. Desses valores são deduzidos os custos com frete, empacotamento porque o governo encomenda a compra em saquinhos de 1 quilo e impostos. Na venda para o Sul, sobrou para o cerealista R$ 20,69 a saca e na venda para o NE, R$ 24,70.‘‘E quanto será que recebeu o produtor?’ pergunta Luders. A verdade é que o produtor não recebeu nem o preço mínimo, vigente na época que era R$ 26,00 a saca.
Para Salvi, da Coagro, o reajuste do preço mínimo do feijão, de R$ 26,00 para R$ 28,00 a saca não animou os produtores e eles se sentem abandonados.‘‘ Os produtores não decidem mais o plantio em função do preço mínimo, porque não acreditam que o governo vai intervir no mercado para apoiar o setor, onde predomina pequenos e médios produtores.A combinação de fatores como frustração com o plantio das duas últimas safras, a elevação nos preços dos insumos e a queda acentuada dos preços do produto no mercado, certamente vai resultar na redução da área plantada, acredita.
Pelo menos no Sudoeste, Salvi acredita que a redução no plantio será de 50%. Os produtores devem substituir o plantio de feijão pelo milho, já a partir de agosto. O plantio no Sudoeste é iniciado antes de outras regiões porque o microclima à beira do rio Iguaçu permite uma temperatura mais amena e é difícil registrar geadas. Outro problema que está sendo enfrentado é a falta de crédito nas agências bancárias, comentou Salvi. Segundo ele ‘‘quem procura dinheiro no banco, volta de mão abanando’’.
Na região Sul, o desânimo dos produtores com o feijão é o mesmo. Para o agrônomo da Cooperativa Bom Jesus, Severino Giacomel, não adianta nada o governo reajustar o preço mínimo, se não prevê os recursos para a compra da produção em caso de queda de preços como está acontecendo agora. ‘‘Todos os custos de produção subiram e o preço do feijão caiu, sem que o governo faça qualquer coisa para apoiar o produtor’’, salientou. ‘‘ Nem estoques reguladores de alimentos básicos o governo fez’’, acrescentou.
Para o corretor Marcelo Luders, da Correpar, se o governo não quer mais participar da comercialização, então que busque os mecanismos para venda antecipada da produção em bolsa de mercadorias, sistema pelo qual pode-se diluir os riscos no plantio e comercialização.

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