Área de café adensado deve aumentar 78%
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de junho de 1998
Da Redação 
A área cultivada de café adensado no Paraná deve crescer 78,6% nesta safra, chegando a 18.400 mil hectares. O crescimento se deve a incentivos que os agricultores vêm recebendo e à retomada da cafeicultura paranaense. Na região de Campo Mourão, até moradores de Vilas Rurais já estão cultivando café adensado.
A safra total de café ocupará 138 mil hectares, o que vai proporcionar uma colheita de 2,1 milhões de sacas beneficiadas. Isso representa um aumento de 13,5% sobre as 1,85 milhão de sacas do ano passado, segundo avaliação da agrônoma Margoreth Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) - órgão da Secretaria de Agricultura.
A cafeicultura está voltando a ter uma posição muito importante na agricultura do Estado e o café adensado vem apresentando excelentes resultados a cada nova safra, afirma o pesquisador Armando Androcioli Filho, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
A área em produção do café adensado, que vem sendo pesquisado desde a década de 70, é de 9.600 mil hectares, o que proporcionará uma colheita de 380 mil sacas. O restante da área estará produzindo em três a quatro anos. Nesse período, o plantio de novas lavouras também deve crescer na mesma proporção apresentada até agora, acreditam os agrônomos do Iapar.
O entusiasmo com o café adensado é entendido por meio dos benefícios que ele proporciona. Segundo o economista do Deral em Apucarana, Paulo Sérgio Franzini, o lucro com o café adensado é cinco vezes maior do que o obtido com o plantio convencional. Devido ao aumento de cerca de 7,5 mil pés por hectare, o sistema também é importante na geração de empregos, pois exige maiores cuidados com a lavoura e com o uso de técnicas, que melhoram a qualidade do produto e a produtividade.
Cada hectare plantado tem de 8 mil a 12 mil plantas, contra apenas 2,5 mil no sistema convencional. Nas áreas de plantio convencional a produtividade é de 14 sacas beneficiadas por hectare. No adensado, chega a 41 sacas. Apesar dos bons resultados, a média ainda é considerada baixa, porque o normal é colher 60 sacas limpas na mesma área, a partir do quarto ou quinto ano de cultivo.
Mesmo sem alcançar a produtividade ideal, o plantio adensado gera um emprego a cada hectare, enquanto que o sistema convencional precisa de 2,5 hectares para criar um posto de trabalho. Os técnicos acreditam que o café adensado é responsável pela criação de cerca de 20 mil empregos diretos e receita bruta de R$ 48 milhões/ano. O adensado também possibilita aos agricultores sobreviverem mesmo com baixos preços no mercado, pois o custo unitário é muito menor, diz Franzini.
Para se colher uma saca beneficiada de café adensado o custo é de R$ 55, contra R$ 80 do convencional. Considerando o preço médio de R$ 125 a saca de 60 kg, o produtor consegue uma rentabilidade de até 127%. Queremos que o produtor tenha ganho na atividade e consiga manter uma boa produção, afirma Androcioli Filho.
Mesmo com o entusiasmo pela qual passa a cafeicultura, técnicos e agricultores acreditam que o Paraná deve intensificar ainda mais os incentivos para voltar a ocupar uma posição de destaque nacional. O Estado, que já foi o primeiro produtor brasileiro de café no início da década de 70, ainda recupera-se da forte geada de 1994, que acabou com boa parte dos cafeeiros. Na época, a produção era de 1,6 milhão de sacas. O Paraná ocupa hoje o quarto lugar no ranking nacional, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
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