Área de algodão cresce, mas seca derruba a produção
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segunda-feira, 11 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Bastou o produtor de algodão se animar um pouco no ano passado, quando pegou um bom preço e decidiu ampliar a área de plantio no Paraná, para vir este ano a seca e derrubar suas expectativas. A estiagem na região sul deverá provocar, segundo a Associação dos Cotonicultores do Paraná (Acopar), uma quebra de 30% a 40% na produção estadual. A estimativa é baseada nas perdas verificadas na área já colhida - por enquanto 35% do total. Porém, em algumas propriedades, como a do agricultor Wilson Pan, de Londrina, a perda chegou a 50%. Sua produtividade, que vinha sendo de 500 arrobas por alqueire, caiu para 250 arrobas este ano.
O Paraná teve este ano um incremento de 17% na área plantada - era de 45 mil hectares (ha) em 2004 e subiu para 53 mil ha. ''Porém, em função das perdas que terão por causa seca e em virtude do preço, que caiu em consequência do aumento da oferta de algodão no mercado, os produtores desanimaram de novo e muitos deverão deixar de plantar na próxima safra'', lamenta o presidente da Acopar, Almir Montecelli.
O preço, que na safra passada chegou a R$ 22 a arroba, está em apenas R$ 13 este ano. O motivo é que o Brasil está com sobra de 100 mil toneladas/ano, devido à menor demanda que a oferta. Da produção nacional, que é de 1,3 milhão de toneladas/ano, 900 mil são consumidas pelo mercado interno e 300 mil exportadas. As 100 mil toneladas restantes ficam estocadas até a safra seguinte. ''A redução de preço desmotivou bastante o produtor, já que nos últimos cinco anos o cenário era inverso. Os resultados financeiros vinham sendo bons, com o algodão dando o dobro da margem de lucro da soja'', conta Montecelli.
Falta mão-de-obra Além da seca e da redução de preço, outro problema que os produtores estão enfrentando este ano é a carência de mão-de-obra para a colheita. ''Só com esse pequeno aumento de área (+17%) em 2005, já tivemos problemas. As pequenas propriedades, que são maioria, ainda fazem colheita manual e a mão-de-obra está escassa, porque o bóia-fria que trabalhava no algodão na década de 80, quando o Paraná era líder da produção nacional, veio para a cidade'', comenta o presidente da Acopar. Apesar disso, a cultura ainda exerce importante papel social no Estado, com 80% das lavouras mantendo a colheita e a capina manual. ''Mais de 95% dos produtores de algodão no Paraná são pequenos, com áreas de até 15 hectares'', informa Almir Montecelli.
No Norte do Estado, segundo o agrônomo Evandro Mendes, da Cooperativa Integrada, os pequenos cotonicultores recorrem, quando possível, à mão-de-obra familiar para colher. ''Isso porque se demorar, o algodão vai secando na roça e perde peso. E se chover também compromete'', explica.
Para evitar esses problemas, a Integrada vem incentivando seus cooperados a fazerem colheita mecânica, prática já adotada por 70% dos membros da cooperativa em Londrina. ''Assim eles não ficam na mão e colhem num dia só uma área de 5 alqueires que levariam um mês para colher se fosse manual'', compara. Fora isso, têm a vantagem da colheita mecanizada custar R$ 2,50 por arroba colhida, enquanto que no sistema manual custa entre R$ 3,50 e R$ 4,00.


