Preços atrativos e a boa produtividade da última safra estimulam a cultura do algodão no Paraná. A área plantada deve aumentar 26,5% na safra 2003/04, passando de 30 mil hectares para 38 mil hectares. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), 75% das lavouras já estão plantadas. A expectativa é que o Estado colha 87,6 mil toneladas, com crescimento de 22,17% em relação ao ano anterior.
Os índices do Paraná acompanham a tendência nacional. O primeiro levantamento de intenção de plantio realizado pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) revela que a área cultivada com algodão vai crescer 28,2% no País, atingindo 942,5 mil hectares. A Conab estima que a produção chegue a 1,7 milhão de toneladas de algodão em caroço, o que indica crescimento de 25%.
''Os bons preços de 2003 incentivam os produtores'', comentou a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Deral. Em abril deste ano, a arroba foi comercializada por R$ 19,60. No ano anterior, o produto foi cotado por R$ 9,96, em média. Em 2001, o preço variou em torno de R$ 8,00. Outra vitória de 2003 foi a produtividade recorde no Estado. Favorecidas pelo bom clima, as lavouras produziram uma média de 2,38 toneladas por hectare.
O Paraná já foi o maior produtor brasileiro do algodão. A decadência da cultura veio na década de 90, quando os preços ficaram muito baixos e desestimularam os produtores. Na época, o País precisou importar o produto. Algum tempo depois, o algodão passou a ser cultivado no Mato Grosso, onde é possível realizar a colheita mecanizada.
Vera acredita que a atual conjuntura favorece a retomada do algodão no Estado. E enumera algumas vantagens do Paraná em relação aos outros produtores. Segundo ela, o custo de produção é menor; os solos apresentam alta fertilidade; e a colheita manual, quando realizada de acordo com as recomendações técnicas, garante melhor qualidade.
Além disso, a proximidade dos principais centros consumidores (São Paulo e Santa Catarina) e a existência de centros de pesquisa (como Iapar e Coodetec) favorecem a produção. Como a colheita começa em fevereiro, antes dos outros estados, o algodão paranaense tem mais chances de conseguir bons preços.
Tradicional produtor de algodão, o agricultor João Francisco, de Londrina, desistiu da cultura quando sua lavoura foi dizimada pelo bicudo, uma praga que ataca na fase de formação das maçãs. ''Mesmo quando o preço caiu, ainda apostei no algodão'', contou ele, que chegou a cultivar 120 hectares.
Na safra 2003/004, ele retomou o plantio em 14,5 hectares de uma propriedade no distrito da Warta. ''Estou experimentando'', contou Francisco, entusiasmado com a retomada da produção. ''Algodão sempre foi melhor que soja'', comparou.
Nesta safra, ele vai utlizar a colheita mecânica pela primeira vez, com uma máquina alugada de um produtor do Mato Grosso. O custo é de 24,7 arrobas por hectares. Francisco espera produzir 248 arrobas por hectares, com custo correspendente à metade desse valor. ''Se conseguir R$ 20,00 por arroba, terei um bom lucro'', considerou. A Cooperativa Integrada oferece aos produtores da região contratos de venda antecipada por R$ 20,00 a arroba.

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