O Paraná se prepara para plantar mais uma safra de trigo. A partir deste mês, mais de 60% dos municípios paranaenses estão aptos a plantar o grão e a tendência é de recuperação do plantio em relação ao ano passado, que foi a menor área plantada na média da última década.
O primeiro levantamento sobre a intenção de plantio de trigo feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, divulgado ontem, aponta para um crescimento de 6% na área plantada, passando de 778 mil hectares cultivados no ano passado para 825 mil hectares que devem ser plantados este ano. Esse avanço ainda está aquém da média de plantio entre 2000 a 2009, que foi de 1,1 milhão de hectares cultivados com trigo no Paraná, informou o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral.
Na safra passada, o produtor conseguiu ganhar dinheiro com o trigo por causa da elevação da cotação do grão no mercado internacional, em decorrência da quebra da safra de grãos norte-americana. A cotação do trigo subiu 15% no mercado externo, enquanto que no Paraná essa valorização foi bem maior, em função da oferta, bastante restrita no ano passado, com o recuo na área plantada.
O trigo que era comercializado a R$ 23,43 a saca em fevereiro do ano passado, valor considerado pelos triticultores como insuficiente para cobrir os custos de produção, subiu para R$ 39,84 a saca, na média do mês de fevereiro deste ano. Segundo Godinho, a área plantada com trigo na região do Mercosul, especialmente na Argentina, será determinante para que os preços mantenham-se valorizados ou não em relação ao mercado internacional.
Ainda conforme o agrônomo, o plantio de trigo não é maior no Paraná porque muitos produtores estão optando por plantar o milho safrinha. Os produtores apostam no plantio de milho para atender à demanda do mercado internacional, sobrando menos espaço para o trigo.

Preço mínimo
As cooperativas paranaenses e os produtores estão solicitando aumento no preço mínimo do trigo para que os produtores tenham mais garantia na hora da comercialização. O preço sugerido é R$ 34,56 a saca, contra R$ 30,06 a saca, atualmente. A preocupação é manter a liquidez e consolidar novamente a região Sul do País como grande produtora de trigo.
Na safra passada, o Brasil produziu 41% de seu consumo, participação inferior à média das quatro safras anteriores, quando chegou a produzir 50% do que consumiu de trigo.

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