Área cresce no Brasil e cai na Argentina
Área cresce no Brasil e cai na Argentina
Mesmo com a reavaliação apontando crescimento, a área ocupada pela cultura ficará menor que a da safra passada
Agência Estado
Tempo a favorAs boas condições climáticas no Paraná contribuem para o avanço do plantio, que já atinge 76% da área estimada A área plantada com trigo no Brasil deverá ser maior que o inicialmente esperado. Porém, estas áreas - concentradas no Paraná e no Rio Grande do Sul - deverão continuar menores que as do ano passado. A melhor comercialização desta safra e a maior disponibilidade de crédito levaram o produtor a rever suas estimativas de plantio. Na Argentina, os preços baixos levaram o produtor a trocar o trigo pela soja.
A área plantada com trigo no Rio Grande do Sul não deve ultrapassar os 400 mil hectares nesta safra, segundo estimativa da Associação dos Produtores de Sementes do Rio Grande do Sul (Apasul). Segundo Eduardo Loureiro, diretor da Apasul, as sementes disponíveis para o plantio de trigo no RS somaram 1 milhão de sacas, o que, no máximo, é suficiente para o plantio de 400 mil hectares, considerando a média de 130 kg de sementes por hectare. Cada saca de sementes possui 50 kg.
A estimativa de plantio de 400 mil hectares é 31% inferior aos 580 mil hectares plantados na safra passada. Segundo traders deste mercado, a expectativa inicial era de um plantio de apenas 320 mil hectares devido à quebra da safra passada, em que se esperava uma produção de 1 milhão de toneladas e o resultado foi de apenas 620 mil toneladas, grande parte dela de baixa qualidade. Porém, o melhor resultado da comercialização da safra passada levou os produtores a ampliarem sua estimativa de plantio. Mas faltam sementes.
No Paraná, a Associação Brasileira de Produtores de Sementes e Mudas (Abrasem) informa que foram vendidas nesta safra 2,750 milhões de sacas de sementes o que, teoricamente, daria para plantar 916 mil hectares. O último relatório do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Paraná (Deral) indica uma expectativa de plantio no Estado de 842 mil hectares. Na safra passada, a área plantada com trigo no Paraná foi de 898,3 mil hectares.
Analistas e corretores deste mercado avaliam que a área plantada no Paraná realmente será maior que o inicialmente esperado, podendo atingir 900 mil hectares. Eles acreditam, contudo, que uma área de 850 mil hectares seja mais realista. Segundo eles, apesar da venda de 2,75 milhões de sacas de sementes no Paraná, muitos produtores revendem estas sementes, inclusive para outros Estados, além de sempre manterem um estoque de cerca de 5%.
A área destinada ao plantio de trigo no Paraná já está 76% semeada, de acordo com relatório de desenvolvimento de safra da corretora Agricampo. O número é superior aos 63% plantados até a semana passada. Segundo o relatório, dos 831 mil hectares estimados pela corretora, 632.400 hectares já estão plantados.
O plantio foi acelerado pelas ótimas condições climáticas, que estão favorecendo o trabalho de campo no Paraná. As chuvas que caíram recentemente foram benéficas para o desenvolvimento das plantas. No ano passado, a seca na região atrapalhou o plantio.
Argentina A área plantada com trigo na Argentina na safra 1998/99 deverá registrar uma redução de cerca de 10%, segundo estimativas extra-oficiais. Os técnicos do ministério informam que ainda é prematuro determinar com exatidão qual será a área da próxima safra porque o plantio se realiza entre julho e agosto mas eles afirmam que a redução não passará de 10%.
O relatório do ministério afirma que as maiores quedas deverão ser registradas no noroeste da província de Buenos Aires, nas jurisdições de Bragado, Bolívar e Pehuajó, onde existem ainda várias superfícies alagadas com as intensas chuvas provocadas pelo El Ni¤o. Na safra passada, a área plantada com trigo na Argentina ficou em 5,9 milhões de hectares.
Para Jorge Barthes, diretor da corretora argentina J.. Hinrichsen, a expectativa do mercado é de que a área plantada se reduza entre 5% e 6% em relação ao plantado no ano passado. Barthes explica que os baixos preços obtidos pelo produtor de trigo nesta safra fizeram com que muitos migrassem para a soja, que está oferecendo uma melhor remuneração. Os estoques de passagem destes produtores também deverão aumentar este ano, o que pode influenciá-los a plantar soja no lugar de trigo, afirmou Barthes.





