Área com trigo deve cair 11% no PR
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de março de 1998
Vânia Casado e Agência Estado 
Arquivo FolhaDesestímuloTriticultores calculam que custo de produção atingirá R$ 180,00/t, contra preço mínimo de R$ 157,00 A área ocupada com trigo deve cair esse ano no Paraná. A estimativa é de uma redução de 11%, no mínimo. Na safra passada, foram plantados 898,3 mil hectares com trigo e esse ano o plantio não deverá ultrapassar 800 mil hectares. A informação é do assessor do Departamento Técnico da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Jorge Proença. A redução da área de trigo deverá ocorrer em função da frustração dos produtores rurais do Paraná e Rio Grande do Sul, que não foram atendidos na solicitação de reajuste no preço mínimo do trigo para a safra 97/98, disse. Além disso, também não foram atendidos no pedido de redução das taxas de juros para o crédito rural.
O veto ao reajuste do preço de garantia do trigo é do Ministério da Fazenda, com a argumentação de que essa medida implicaria em elevação dos gastos do Tesouro da União com o pagamento de subsídos através do PEP (Prêmio de Escoamento da Produção). A decisão foi comunicada às entidades que representam os produtores, em reunião ocorrida na última terça-feira, em Brasília, para a divulgação das regras para o plantio da safra de inverno. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, anunciou a disponibilidade de R$ 400 milhões para financiar o custeio da safra de inverno no Paraná, com juros de 9,5% ao ano. Os produtores reivindicavam uma taxa de 6% ao ano.
Os produtores também queriam a elevação do preço de mínimo de garantia para R$ 181,00, valor que compensaria a inflação dos últimos dois anos, período que o preço permanece congelado em R$ 157,00 a tonelada. Para Proença, nem a disponibilidade de recursos para o custeio da safra de inverno é suficiente para estimular o plantio. Além disso, com a permanência da taxa de juros, os custos de produção ficarão elevados num ano em que a inflação acumulada deve ficar em 3% ao ano, comparou.
Para a Faep, o produtor terá prejuízo com o plantio de trigo esse ano. Isso porque o custo de produção está estimado em R$ 180,00 a tonelada. Para as regiões Oeste e Norte, onde os produtores optam pelo milho safrinha, ainda resta uma alternativa de plantio para o período de inverno. Mas os produtores das região Sul e Sudoeste, ficam sem alternativas de plantio comercial, avaliou Proença.
O problema maior da falta de estímulos à cultura do trigo, é o avanço do plantio do milho safrinha, por falta de alternativa durante o inverno. Segundo Proença, esse ano estão sendo plantados 750 mil hectares com milho safrinha no Paraná, quase a mesma área com trigo. A consequência dessa opção é drástica. Isso porque o produtor deixa de fazer a rotação de cultura ideal que seria soja-trigo-soja, que ajuda a recuperar o solo e reduz os custos com a cultura de soja. Com o plantio de milho depois da soja, aumenta a incidência de pragas e doenças fúngicas que se manifestam nas lavouras de soja. Na safra passada, foi significativa a presença de oídio na soja, afirmou Proença.
Safra de inverno - Porto disse que as regras para o Plano de Safra de inverno 98 deverão ser aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no dia 26, com uma nova classificação para o trigo, devendo ser definidos padrões para o produto destinado a massas, farinha e pão. Porto informou que o governo dará prioridade a trigo, cevada e aveia, e que os novos valores dos preços mínimos dos produtos para a safra serão aprovados na próxima reunião do grupo de Coordenação de Política Agrícola.


