Área com girassol cresce 196% no País
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quinta-feira, 22 de outubro de 1998
Guto Rocha 
A cultura do girassol no Brasil começa a ganhar impulso, com indústrias esmagadoras da semente estimulando o plantio e garantindo a compra da produção. Segundo o pesquisador da Embrapa-Soja, de Londrina , Marcelo de Oliveira, a área plantada com a oleaginosa na safra 98/99 crescerá 196,29%, passando dos 27 mil hectares cultivados no ano passado para 80 mil ha na atual safra. A produção da oleaginosa foi debatida entre pesquisadores, produtores de sementes e de óleo do Brasil e da Argentina, que estiveram em Londrina na terça e quarta-feira participando da reunião anual da Comissão Nacional de Cultivares de Girassol.
Segundo a pesquisadora da Embrapa-Soja, Regina Villas Boas Leite, a reunião serviu para avaliar e indicar as novas cultivares de girassol que serão plantadas na próxima safra. Devem sair indicação para aproximadamente oito novas cultivares, afirmou. As cultivares foram avaliadas em 10 estados brasileiros em cerca de 70 ensaios. Regina observa que a safra do girassol é dividida em duas fases: na região Sul, o plantio vai de agosto até meados de outubro, e no Centro-oeste, de janeiro a fevereiro. O Sul responde por 20% da área plantada e o cerrado com 80% da área cultivada, comentou.
No cerrado, afirmou a pesquisadora, o girassol está atraindo os produtores por ser uma opção de safrinha na região. O girassol é importante na rotação de cultura com o milho e a soja, disse.
A pesquisadora disse que o óleo de girassol, como todo óleo vegetal não tem colesterol. Mas a vantagem do óleo de girassol sobre os outros óleos vegetais, é que ele reduz as taxas de colesterol do sangue, afirmou. Mas o produto ainda é pouco consumido no País. No ano passado, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o consumo de óleo de girassol atingiu 64 mil toneladas, contra os 2,68 milhões de toneladas de óleo de soja consumido no Brasil. O preço do óleo de soja nos supermercados é em média R$ 1,00, enquanto que o óleo de girassol custa em média R$ 1,98.
Regina afirmou que a maior parte do óleo de girassol consumido no Brasil é importado da Argentina, que é a maior produtora mundial da oleaginosa. Segundo o pesquisador argentino, Abelardo de la Vega, da Zeneca Sementes, a cultura ocupa uma área de 3,5 milhões de ha, com uma produção média de 6 milhões de toneladas.
Segundo a pesquisadora da Embrapa-soja, 50% das sementes cultivadas no Brasil também são importadas da Argentina. Vega afirmou que a multinacional Zeneca participa dos ensaios feitos pela Embrapa, para produzir sementes híbridas adaptadas ao clima tropical brasileiro.
No Brasil, segundo Marcelo de Oliveira, da Embrapa, apenas duas empresas esmagam o girassol para produzir óleo, a Cargil, em Rancharia (SP) e a Caramuru Alimentos, em Itumbiara (GO). Segundo o engenheiro agrônomo, Sandro Pereira da Rocha e Silva, a Caramuru implantou no ano passado o Projeto Girassol, coordenado por ele, para incentivar a produção da oleaginosa na região do cerrado. Através do projeto, a Caramuru fornece sementes, insumos e assistência técnica do plantio à colheita. São 14 técnicos agrícolas e cinco agrônomos acompanhando os produtores. Silva afirma que no ano passado, primeiro ano do projeto, 52 produtores da região aderiram ao girassol, cultivando 7,5 mil ha. A indústria recebeu 5 mil toneladas da oleaginosa, e o restante da produção foi destinada para a indústria de rações para pássaros e para a Cargil, em Rancharia.
Para a próxima safra, que começa a ser plantada em fevereiro de 99, a área plantada irá aumentar 140%, passando para 20 mil ha. Considerando que a produtividade média da região é de 1,3 mil kg/ha, a produção deve atingir 26 mil toneladas.
Na safra passada, a Caramuru utilizou a estrutura instalada para processar milho para esmagar o girassol. Segundo Silva, a Caramuru está investindo US$ 3,5 milhões na instalação de uma unidade esmagadora de girassol, que entrará em operação já na próxima safra. A nova unidade terá capacidade para processar 800 toneladas de grão/dia.


