Área com geadas soma 10% do plantio de trigo
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quarta-feira, 19 de julho de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

As geadas que atingiram majoritariamente as regiões Sul, Campos Gerais e Sudeste do Paraná na madrugada de quarta-feira, 19, afetaram 10% dos 992 mil hectares de área plantada de trigo no Estado, conforme estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). Os técnicos do órgão afirmam que não significa que todo o plantio das propriedades foi afetado, mas apenas que está em uma zona de risco.
O trigo é a cultura com maior chance de sofrer com geadas neste momento, porque boa parte das plantas está em fase de floração ou frutificação no Estado. No entanto, o analista do setor no Deral, Hugo Godinho, diz que mesmo que toda a produção da área sob risco de geadas fosse atingida, significaria perda de "apenas" 300 mil toneladas, o que pouco modificaria a expectativa de safra recorde de grãos de 40 milhões de toneladas. "Essa previsão significa que essas propriedades estavam em áreas que dificilmente escaparam das geadas, mas também é pouco provável que tenham sido totalmente atingidas", afirma Godinho.
Os efeitos reais do frio intenso costumam aparecer após dois a três dias e o Deral demora até uma semana para levantar todos os reflexos em campo. No Paraná, a temperatura mais baixa de quarta-feira foi registrada em São Mateus do Sul (Sul), com -5,2°C. Curitiba também teve a madrugada mais fria do ano, com -1,6°C, de acordo com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar).
A parte mais ao norte do Estado não escapou das temperaturas negativas ou que proporcionam a formação de geadas. Em Cambará (Norte Pioneiro), os termômetros chegaram a marcar -2,5ºC e em Campo Mourão (Noroeste), -0,4ºC. Mesmo com mínimas positivas, houve condições de propícias para o fenômeno em Paranavaí (2,6ºC), Londrina (2,8ºC), Cianorte (3,6ºC) e Apucarana (3,7ºC), informa o Simepar. "A geada ocorre em áreas que contam com ausência de nebulosidade, o que gera perda de calor, tempo seco e têm a entrada de massa fria de alta pressão", diz a meteorologista Angela Beatriz Costa.
No Norte e Norte Pioneiro, a maior preocupação era com o café e com as hortaliças. O engenheiro agrônomo Ildefonso Hass, da regional de Londrina do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), afirma que não recebeu avisos sobre maiores problemas por geadas. "Mesmo mais a Oeste, em Jesuítas, não houve dano, sinal de que a queda de temperatura não foi tão severa como esperávamos", diz. "Mesmo de Tamarana e Ivaiporã para o sul houve apenas prejuízo em áreas mais baixas, de encostas de rio e de pastagens", completa.
Pior passou
A meteorologista do Simepar afirma que a tendência é de menor risco de geadas nos próximos dias, com mínima prevista para 5ºC a 6ºC na região de Londrina. "Somente o Sul e Centro-Sul ainda tem algum risco", prevê Angela.


