Na semana passada foi lançado em Brasília o estudo Sul Competitivo. Ele lista 177 obras que deveriam ser realizadas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com o objetivo de melhorar a logística regional e promover a competitividade. Por não ter sido defendido pelo governo do Estado, o Arco Norte - projeto que busca o desenvolvimento de Londrina e região - ficou de fora do estudo contratado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Empreendimento parecido com o Arco Norte, o Complexo Intermodal Catarinense de Araquari (SC) está entre as obras propostas no Sul Competitivo. ''Fizemos diversas reuniões com o governo do Paraná e o Arco Norte não foi citado em nenhuma'', diz Gerard Olivier, diretor da Marcolologística, responsável pelo projeto. ''Já o complexo de Araquari tem forte apoio do governo e da iniciativa privada de Santa Catarina'', diferencia.
O projeto do Arco Norte tem como âncora um aeroporto internacional de cargas a ser construído na Zona Sul de Londrina, perto da Mata dos Godoy. Um consórcio de oito municípios e uma sociedade de propósito específico (SPE) buscam viabilizar o empreendimento. O consórcio é formado pelas prefeituras de Londrina, Assaí, Jataizinho, Ibiporã, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana. E a SPE, pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e pela Sociedade Rural do Paraná (SRP).
O presidente de Acil, Flávio Balan, diz que ''realmente'' o Arco Norte nunca foi prioridade para o governo estadual, mas que o governador Beto Richa está conhecendo o projeto e vai dar todo o ''apoio institucional'' necessário. No dia 17 de julho, Richa havia confirmado presença em reunião para discutir o Arco Norte na Acil, mas não apareceu, mandou secretários para representá-lo.
''Acho que o governador recebeu informações erradas sobre o Arco Norte. Ele pensava que nós queríamos que o governo bancasse todo o custo. Mas agora ele passou a entender melhor a proposta e vai nos receber em Curitiba em setembro para discuti-la'', afirma Balan. No mês passado, segundo ele, o secretário-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Sebastiani, esteve na Acil para conhecer o Arco Norte.
O custo total do projeto é estimado em R$ 5 bilhões, já que envolve, além do aeroporto de cargas, uma série de obras rodoferroviárias. A ideia dos idealizadores do Arco Norte é buscar esse dinheiro com os governos estadual e federal e também na iniciativa privada. Eles entendem que existem investidores interessados.
Inicialmente, o que se espera do governo estadual é que ele pague, ou ajude a pagar, o estudo de viabilidade do projeto que ainda não foi feito e custa de R$ 600 mil a R$ 1 milhão.
Consultor de logística e infraestrutura da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), Mário Stamm diz que o Arco Norte não entrou no Sul Competitivo porque ''carece do estudo de viabilidade''. ''O Arco Norte é uma ação extremamente importante'', afirma. Segundo ele, não é porque não tenha entrado no estudo da CNI que ele não receberá apoio. ''Certamente, terá o apoio da Fiep porque temos uma visão de explorar mais o modal aeroviário'', declara.
A FOLHA tentou entrevistar o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, mas até o fechamento desta edição ele não havia atendido a reportagem.

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