Além de conquistar o apoio dos governos federal e estadual e o financiamento privado, os seis municípios que congregam o Arco Norte terão de enfrentar a concorrência interna para viabilizá-lo. Conforme mostrou a FOLHA na edição de terça-feira, um projeto semelhante está sendo idealizado em Tigabi, cidade paranaense localizada nos Campos Gerais, perto de Ponta Grossa.
O Arco Norte é uma proposta de desenvolvimento regional para Londrina, Ibiporã, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana, que tem como âncora um Aeroporto Internacional de Carga a ser construído na Zona Sul de Londrina, num terreno de 5.700 metros quadrados próximo à Mata dos Godoy.
Na última sexta-feira, ele foi apresentado ao secretário estadual da Infraetrutura e Logística, José Richa Filho, e ao secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Alexandre Navarro Garcia, durante evento promovido em Londrina pela rádio CBN.
Na ocasião, o secretário estadual da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, já havia alertado para o risco de a região de Londrina perder esse investimento para a de Ponta Grossa. ''Não há espaço para dois projetos dessa envergadura no Estado'', disse.
A opinão é compartilhada por Paulo Ceschin, coordenador do Conselho Setorial de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). ''Acho que quem conseguir viabilizar o negócio primeiro ganha porque não há espaço para os dois'', ressalta.
Segundo Ceschin, somente cerca de 3% das cargas industriais do Paraná são escoadas por aviões. E 95% delas são exportadas pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. Ele explica que as mercadorias que seguem pelo modal aéreo são aquelas com muito valor agregado, que não podem esperar ''30 dias'' dentro de um navio. ''É um tipo de transporte extretamente específico, mas nos polos automobilísticos têm cada vez mais peso.''
Além das peças automotivas, circuitos eletrônicos e produtos de informática são exemplos de mercadoria que precisam serguir pelo ar. O coordenador diz que já conhece o projeto do Arco Norte e que ele seria uma ''opção muito bem-vinda'' para todo o Estado. ''É claro que ganharíamos mais competitividade se pudermos embarcar os produtos em Londrina em vez de Campinas'', ressalta.
Ceschin afirma que o modal mais barato para o transporte de cargas é o aquaviário. Segundo ele, na comparação com esse modal, o trem tem custo 10 vezes mais caro. Já o rodoviário custaria 100 vezes mais e o aéreo, em torno de 500 vezes mais.
Compatíveis
Para Marcelo Mafra, um dos coordenadores do projeto Arco Norte, os dois aeroportos, um em Londrina e outro em Tibagi, não são incompatíveis a longo prazo, tendo em vista o crescimento econômico do País e a demanda crescente por transporte aéreo de carga. Segundo ele, até março do ano que vem, o consórcio de municípios que vai tentar emplacar o Arco Norte estará formado. ''Estamos muito otimistas'', revela.

Imagem ilustrativa da imagem Arco Norte disputa aeroporto de carga com Campos Gerais
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