Arapongas prepara reflorestamento
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de novembro de 1998
Guto Rocha 
Uma projeção do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) aponta que até 2007 o consumo de madeiras para fabricação de móveis será maior do que a oferta. Para evitar que pólo moveleiro de Arapongas torne-se importador de madeira e garantir a sua auto-sustentabilidade, o Sindicato das Indústrias de Móveis (Sima), lançou ontem à noite, no Clube Comercial, o Projeto de Auto-sustentabilidade de Matéria-Prima. Segundo o diretor do Sima, José Roberto Pontalti, o projeto prevê o plantio de 600 mil mudas de Eucalíptus Grandis em uma área de 520 ha em Mauá da Serra, Ortigueira. O eucalipto vem sendo cultivado pela Klabim há 25 anos, que desenvolveu tecnologia para melhorar o aproveitamento da madeira para móveis.
Pontalti explicou que aplicando a tecnologia, este tipo de eucalipto apresenta qualidade similar ao mogno e à cerejeira. A árvore está pronta para o corte entre 14 e 16 anos, e cada unidade rende entre 1,7 e 2 metros cúbicos de madeira beneficiada. Esta madeira é exportada à R$ 300,00/M3.
A meta do projeto é de que nos próximos cinco anos sejam plantadas três milhões de árvores. Queremos que nos próximos 16 anos o reflorestamento seja feito anualmente. E que ao final deste prazo, quando fizermos o primeiro corte, o plantio seja reiniciado, comentou. Neste primeiro ano, serão 600 mil mudas, no segundo 1,2 milhão; no terceiro mais 1,8 milhão, no quarto 2,4 milhões e 3 milhões no quinto ano.
Para conseguir atingir este meta, o Sima quer fazer parcerias com produtores, arrendando áreas, ou vendendo mudas para os interessados em fazer lavoura própria para fornecer para o pólo moveleiro de Arapongas. Mas os produtores têm de ter consciência de que o investimento é de longo prazo (14 a 16 anos), e que precisam seguir as técnicas recomendadas, disse.
Pontalti afirmou que o projeto já cadastrou produtores que somam 102 alqueires, suficientes para o plantio de 500 mil mudas. As mudas já foram encomendadas, e o plantio será iniciado no próximo ano, afirmou. Para cada R$ 1,00 investido, os produtores terão um retorno de R$ 14,00 ao final de 14 a 16 anos. Cada hectare pode receber 2 mil mudas, mas serão aproveitadas pelas indústrias de móveis 500 árvores.
Os produtores interessados em participar do Simflor devem se cadastrar no Sima. As mudas de árvores serão vendidas aos produtores por R$ 0,09/unidade. Não importa do tamanho da área que será destinada ao reflorestamento, disse. O projeto quer atingir produtores num raio de 150 Km de Arapongas. Além das mudas de eucaliptos, o Simflor, irá produzir mudas de pinus e grevíleas. Importamos sementes de uma grevílea desenvolvida na Austrália, que tem crescimento 150% mais rápido, disse.
O projeto também vai produzir 180 mil mudas de árvores nativas por ano para distribuir gratuitamente entre os produtores. O objetivo, segundo Pontalti, promover a recuperação de matas ciliares e a implantação da Reserva Legal prevista em lei, inclusive na área de reflorestamento comercial do Sima.


