Arapongas já investe
em auto-sustentação
Arquivo FolhaINDEPENDÊNCIAEmpresários do ramo moveleiro de Arapongas temem o déficit de madeira, nos próximos anos, e criaram programa para garantir matéria-prima para o setor sem a dependência de grandes empresas que controlam os reflorestamentosArquivo FolhaMuda de árvore: estratégia para a produção do futuroEstudos e pesquisas recentes indicam que, em poucos anos, a indústria moveleira irá enfrentar um grande déficit na área de oferta de madeira. E, nestas circunstâncias, existe a preocupação de que o setor moveleiro possa ficar na mão de grandes empresas que controlam os reflorestamentos.
A preocupação com este quadro desencadeou em Arapongas o programa de auto-sustentabilidade de matéria-prima para o setor moveleiro. A iniciativa partiu do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (SIMA), que através de cotas-participação envolveu praticamente todas indústrias do ramo no município.
O projeto, bancado pelos próprios moveleitos através de seu sindicato, está funcionando e colhendo os primeiros resultados positivos. A partir de 1997 foi estruturado um viveiro de mudas de pinus e eucalipto, obtendo-se toda a tecnologia de plantio e manejo da Klabin.
O secretário executivo do Sima, José Carlos Pontalti, revela que em 98 o programa fechou o primeiro lote de 600 mil mudas e em 99, produziu mais 1,1 milhão de mudas. E com a aquisição de áreas também custeadas pelos moveleiros de Arapongas, já foi formado o primeiro reflorestamento com área de 500 hectares.
O Sima também está buscando parcerias com proprietários rurais de Arapongas e Apucarana, para aproveitar principalmente áreas de relevo mais acidentado. ‘‘Para extrair a madeira são necessários 15 anos, mas a partir deste momento a rentabilidade é excelente, levando-se em conta que um hectare rende 600 metros cúbicos de madeira que, no valor de mercado, valem R$ 80 mil’’, informa Pontalti, acrescentando ainda que, para formar-se um hectare de reflorestamento, o produtor investe cerca de R$ 1.200.
A meta do Sima é produzir 6 milhões de mudas/ano, a partir de 2002. ‘‘Quase 100% da matéria-prima destinada às indústrias moveleiras de Arapongas é procedente de reflorestamentos e todas empresa trabalham no sentido de obter o ‘‘selo verde’’, que é a garantia de acesso ao mercado externo, notadamente no europeu’’, revela o secretário do Sima. (M.B.)

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