Arábia garante queda do preço
O presidente Fernando Henrique Cardoso elogiou ontem os construtivos esforços da Arábia Saudita para manter a produção de petróleo em nível satisfatório e reduzir o preço internacional. Ele conversou durante mais de uma hora com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdul Aziz Al-Saud, que está em sua primeira visita oficial ao País.
Participaram da reunião os ministros sauditas do Petróleo, do Comércio e do Exterior. Antes da audiência com o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, o príncipe declarou que a Arábia Saudita tem condições técnicas de aumentar a produção de petróleo imediatamente. Se houver necessidade, a Arábia Saudita aumenta a produção, garantiu.
Em seu discurso de saudação, Fernando Henrique destacou que as iniciativas sauditas são particularmente bem-vindas porque o aumento do preço do petróleo prejudica sobretudo os países em desenvolvimento. Fernando Henrique acenou com a possibilidade de aumento do comércio entre Brasil e Arábia Saudita, que já foi de US$ 4 bilhões anuais na década de 80 e hoje é equivalente a US$ 1 bilhão.
O comércio entre os dois países caiu porque o Brasil optou por comprar petróleo da Argentina e da Venezuela. Fernando Henrique disse que o Brasil acompanha com expectativa a reunião dos países produtores de petróleo que se realizará entre os dias 28 e 29 de setembro na Venezuela.
O príncipe está acompanhado de uma comitiva de mais de 100 pessoas e fechou um dos principais hotéis da cidade para acomodar todos. Os sauditas reclamaram do tamanho da suíte presidencial do hotel, alegando que o príncipe dorme em uma cama de 25 metros quadrados.
O ministro do Petróleo e dos Recursos Minerais da Arábia Saudita, Ali Al-Noãimi, disse ontem, após se encontrar com o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, que os altos preços do petróleo não vão durar. Segundo ele, o preço justo seria de US$ 25 o barril. Noãimi disse que o Brasil pode ficar absolutamente tranquilo.
Ele afirmou que medidas podem ser tomadas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para permitir que o preço do barril do óleo fique entre US$ 25,00 e US$ 28,00, e que outras medidas estão sendo consideradas e serão tomadas caso necessário. Ele não disse, no entanto, que medidas são essas.
Nós temos mecanismos que começam a contar automaticamente quando o preço passa de US$ 28 por mais de 20 dias, afirmou. Posso assegurar que hoje há mais oferta que demanda no mercado. Em breve, veremos estoques aumentando e o preço caindo.





