Unifil tem plano de abrir 150 polos de ensino a distância nos próximos 24 meses
Unifil tem plano de abrir 150 polos de ensino a distância nos próximos 24 meses | Foto: Fotos:Roberto Custódio


A compra da Faculdade Arthur Thomas (FAAT) pelo grupo curitibano Positivo ampliou a presença de instituições de ensino privadas e com grande força financeira em Londrina, o que contribui para consolidar a vocação da cidade nesta atividade. Kroton, Unifil, PUC e Unicesumar são os outros expoentes que assumiram o comando ou abriram filiais nos últimos anos, com o objetivo de ampliar a participação no mercado presencial e de educação a distância (EAD). A perspectiva é de geração de empregos e fortalecimento no setor ano a ano.

Os principais atrativos de Londrina para os grupos foram a perspectiva de alta demanda por cursos tecnológicos, a qualidade de vida, o reconhecimento nacional como um polo universitário e a alta oferta de profissionais qualificados, segundo representantes das instituições ouvidos pela FOLHA. O fato de a Universidade Estadual de Londrina (UEL) ser uma das melhores do País e contar com alto número de professores doutores e mestres, o que é importante para elevar a qualidade do ensino, também contribuiu.

A Positivo assumiu o controle da FAAT e manteve Sandra Gusmão como sócia minoritária. O valor da aquisição não foi revelado, mas o grupo pretende expandir o número de cursos em Londrina já no próximo ano, nas modalidades semipresencial e EAD. O pró-reitor de Planejamento e Operação da Universidade Positivo, Ronaldo Casagrande, afirma que a cidade passa a ser o segundo mercado da instituição, que tem sete unidades em Curitiba e deve abrir mais uma em Joinville em 2018. "É uma cidade de porte médio a grande, existe uma oferta de professores na maioria das áreas e é onde acreditamos que ainda há oportunidade de mercado", diz.

Na educação a distância, a Positivo está presente em 20 polos no Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Ainda, o grupo mantém a Positivo Informática, a Gráfica Positivo e a Editora Positivo, que fornece material didático para 1 milhão de estudantes no País e no exterior. São 28 mil alunos universitários e 40 mil quando incluídos os de ensinos básico e médio. "Temos instituições que trabalham com posicionamentos de preços e qualidade distintos e buscamos oportunidades em áreas que ainda precisam ser atendidas em Londrina", complementa Casagrande.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Norte do Paraná (Sinepe), Alderi Luiz Ferraresi, afirma que Londrina é referência para toda a região Norte e Noroeste. "Apesar da redução no ensino superior nos últimos dois anos, houve um crescimento impressionante nos últimos dez anos e é óbvio que isso gera interesse e concentração na mão de grandes grupos, como em outros setores", diz.

Ferraresi considera que os grandes têm maior capacidade de investimento e de remuneração para funcionários, o que ajuda a explicar as aquisições. "Tudo isso está atrelado também à contratação de pessoal, do administrativo e de professores", cita.

Maior empresa de educação do mundo, a Kroton entrou em Londrina em 2011, com a compra da Unopar. A aquisição mostra também outra vertente que atrai o interesse dos grandes grupos, com a previsão de que o EAD se torne ainda maior e mais lucrativo do que o ensino presencial nos próximos anos. Na ocasião, foi a maior negociação da história no setor (R$ 1,3 bilhão), com a universidade londrinense como líder na educação a distância.

Superintendente e diretor da regional Sul do Grupo Kroton, Helio Navarro afirma que a cidade tem bom potencial de crescimento no setor, com boa empregabilidade para os estudantes e que funciona como um polo que abrange até o interior de São Paulo. "E o ensino superior no Brasil tem muito a crescer, já que cerca de 14% dos jovens estão em universidades e a meta é chegar a 30%, como no Chile e na Argentina", diz.

Navarro não acredita que a concorrência seja um empecilho, mas, sim, uma oportunidade. "Quanto mais instituições de qualidade se instalarem em Londrina, mais vão agregar e gerar oportunidades", cita. Ele acredita ainda que a tendência é de atrair empresas e indústrias à cidade por conta da mão de obra qualificada.

Pequenas perdem espaço

O reitor da Unifil, Eleazar Ferreira, afirma que as pequenas faculdades não têm a mesma capacidade de investimento em tecnologia que os grandes grupos, o que explica o movimento de aquisições. No comando de uma das maiores instituições privadas locais e com origem em Londrina, ele considera como normal a entrada de novos concorrentes na quarta maior cidade do Sul do País. "É um processo de depuração e quem não conseguir manter a mesma qualidade não terá como sobreviver", diz.

Ferreira também considera o ensino a distância (EAD) como o futuro e, da mesma forma que os concorrentes, a Unifil ampliará a presença em outras praças. "Temos o plano de abrir 150 polos nos próximos 24 meses, em municípios relevantes com mais de 40 mil habitantes no Paraná, depois em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul", conta Ferreira, que fará o movimento inverso ao do grupo Positivo para se instalar em Curitiba.

A questão tecnológica também é o foco da PUC, desde 2001 com campus em Londrina. A pró-reitora de graduação da instituição, Maria Beatriz Balena diz que Londrina é um centro estratégico porque tende a crescer em postos de trabalho e qualificação para a indústria 4.0, termo usado para designar o trabalho em inovações. "Tanto que inauguramos a Hot Milk, uma aceleradora de empreendimentos pensando no futuro."

Ela conta que Londrina passou a ser uma forte opção para futuros universitários de tecnologia e que há espaço para todos os tipos de instituições de ensino. "É bom para o mercado quando entram novos concorrentes", cita. "Há tanta oferta de cursos que os alunos buscam aqueles que são mais adaptados ao perfil deles", completa a pró-reitora.

Para o vice-reitor da Unicesumar, Wilson Matos Filho, o mercado continua aquecido, o que justifica o investimento de R$ 35 milhões na compra de terreno e na construção de um campus da universidade maringaense em Londrina. "É uma cidade com grande potencial de empregabilidade, qualidade de vida e que atrai a população jovem ao ensino superior."
Matos Filho afirma que a Universidade Estadual de Londrina (UEL) é a origem da fama da cidade e tem muito a contribuir com as instituições privadas. "É um celeiro de mão de obra qualificada e temos de ter um número mínimo de professores doutores e com dedicação exclusiva, então a UEL dá tranquilidade para a nos instalarmos na cidade." (F.G.)

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