No Brasil, o setor sucroalcooleiro sofreu fortes mudanças, desde a implantação do Proálcool até as compras de várias usinas nacionais por grandes empresas estrangeiras. O consultor Mairun Junqueira Alves Pinto, que elaborou uma dissertação de mestrado intitulada ''Investimentos diretos estrangeiros no setor sucroenergético'', avalia que esse processo não deve mudar. Segundo ele, para os próximos anos, empresas petrolíferas, petroquímicas e de biotecnologia estrangeiras devem dominar as aquisições no setor. ''Os investimentos no setor estão bastante desaquecidos. Mas existe um deficit de etanol grande o suficiente para estimular novos investimentos e eles devem começar a ressurgir'', avalia.
Desde 2000, o setor recebeu forte entrada de capital estrangeiro de diferentes segmentos e as primeiras estrangeiras a investir no País foram tradings de commodities agrícolas e empresas açucareiras francesas. ''Mais tarde, quando o etanol ressurgiu como a grande esperança do setor e a produção e as exportações do produto começaram a crescer, outros tipos de empresas passaram a investir em usinas, como fundos de investimentos, petroquímicas, petrolíferas, produtores de grãos e empresas de biotecnologia'', explica.
O consultor avalia que o potencial do mercado de etanol combustível brasileiro foi o principal atrativo para a iniciativa estrangeira. ''A escolha pelo Brasil se deve ao estágio de desenvolvimento da nossa indústria canavieira em comparação aos demais países produtores. Temos os menores custos de produção, as melhores condições para expandir a cultura, um mercado já maduro de etanol, além de uma vasta rede de indústrias de apoio'', justifica.
Alves Pinto lembra que com a crise de 2008 e a retração das exportações, o número de empresas interessadas caiu consideravelmente, mas aquelas que já estavam presentes no setor continuaram investindo com o intuito de se consolidarem no mercado. Com isso, as capacidades de moagem das usinas aumentaram, saltando de 7% em 2008, para 14% em 2009, 22% em 2010, e 32% em 2011. Atualmente, o Brasil tem mais de 430 usinas em operação, distribuídas entre 180 grupos empresariais.
Paraná
O consultor analisa que, apesar das boas condições naturais para a produção de cana, sobretudo no Norte do Estado, o Paraná apresenta alguns fatores limitantes para a expansão da cana, como a estrutura fundiária, composta por pequenas propriedades e a forte presença de outras culturas. Em contrapartida, a infraestrutura logística coloca o Estado em vantagem frente as demais áreas de expansão da cana no Centro-Oeste. ''O Estado também conta com empresas tradicionais e com boa estrutura produtiva, o que ajuda a atrair investidores estrangeiros interessados em adquirir usinas já existentes'', afirma.(M.F.)

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