Aquisições e fusões de empresas crescem 180% no PR
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quarta-feira, 23 de julho de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As operações de fusões e aquisições de empresas tiveram um crescimento de 180% no Paraná entre os anos de 2006 e 2007 e passaram de 41 para 115. No Brasil, essas operações registraram um aumento de 47,78% e aumentaram de 473 para 699. No primeiro trimestre deste ano, foram 341 processos desta categoria no Brasil e 23 no Paraná. Os dados são da empresa KPMG Corporate Finance.
O advogado especializado nesta área do escritório Pereira, Dabul e Advogados Associados, Marcos Leandro Pereira, estima que as pesquisas da KPMG consideram operações acima de R$ 50 milhões. Por este motivo, ele acredita que há centenas de processos de fusões que acontecem entre empresas menores e que não são contabilizados nestas estatísticas.
Para ele, um dos motivos que tem levado ao aumento nestas operações é o cenário de estabilidade econômica do País. Isso faz o investidor internacional ter mais confiança no Brasil e acreditar que o mercado brasileiro é extremamente lucrativo. Pereira disse ainda que, depois da crise imobiliária enfrentada pelos Estados Unidos, aumentou a possibilidade de investimentos externos no Brasil.
O advogado acredita que a alta da inflação no Brasil não vai atrapalhar os investimentos de estrangeiros no País que continuam confiando no País independente das taxas inflacionárias. ''O Brasil tem conseguido superar as ameaças de crises internacionais. A inflação é um problema mundial'', disse.
O crescimento das grandes empresas também leva a uma expansão em cadeia. Com isso, os fornecedores precisam crescer rapidamente. ''As aquisições são a melhor forma de crescimento'', disse. Muitas vezes, uma empresa acaba comprando outra para atender a uma grande demanda. Ele lembrou que, com o aquecimento do mercado e do consumo há reação em cadeia em todas as ramificações de negócios que envolvem tecnologia, transporte, construção civil, entre outros setores.
''O Brasil hoje tem um cenário muito bom para o investimento, pressupõe crescimento rápido, o que leva a fusões e aquisições'', disse. Segundo ele, o País têm negócios baratos, com preços defasados, isto acaba interessando os investidores internacionais. Dentro deste panorama, a FOLHA noticiou ontem o interesse de uma empresa suíça no Paraná, que fatura anualmente US$ 130 bilhões. A empresa está negociando a compra de capital financeiro da agroindustria Sperafico, de Toledo, pertencente à família Sperafico.
Em 2007, os cinco setores que mais tiveram fusões e aquisições foram Tecnologia da Informação, alimentos, bebidas e fumo, shoppings, imobiliário e serviços para empresa. Em 2008, o maior número de operações concentrou-se em Tecnologia da Informação, imobiliário, educação, alimentos, bebidas e fumo, hotéis e restaurantes e publicidade e editoras. Os setores com maior número de fusões e aquisições responderam por 40% dos negócios.
O escritório Pereira, Dabul e Advogados Associados trabalha com esta área desde 1997 e, nos últimos três anos, realizou 30 operações grandes de fusões e aquisições.
Marcos Leandro Pereira acredita que, neste ano, deve ocorrer crescimento no número de fusões em função do aumento do número de investidores. O advogado destacou ainda que há a necessidade de modernização dos produtos e da gestão empresarial, o que é uma questão de sobrevivência das empresas.


