A Oniria foi adquirida pela Gestum, companhia de soluções de tecnologia educacional, por R$ 6 milhões
A Oniria foi adquirida pela Gestum, companhia de soluções de tecnologia educacional, por R$ 6 milhões | Foto: Celso Pacheco



As empresas do setor de Tecnologia da Informação (TI) de Londrina estão chamando a atenção de grandes corporações. Há poucos dias, a Gestum, companhia de soluções de tecnologia educacional, incorporou a Oniria pelo valor de R$ 6 milhões. No ano passado, a Deliveria, plataforma de delivery on-line, foi adquirida pela gigante iFood.

Segundo informações do setor, as empresas de TI em Londrina não só têm potencial para integrarem transações de fusões e aquisições como já estão sendo sondadas sem que essa informação chegue ao conhecimento público.

Sabe-se, por exemplo, que uma empresa londrinense foi incorporada em agosto por uma companhia do mesmo setor de São Paulo e que outra grande empresa paulista está interessada em adquirir um negócio sediado em Londrina. Os detalhes sobre as transações, no entanto, ainda não podem ser divulgados a pedido da incorporadora, em um caso, e porque a negociação está sob contrato de confidencialidade, no outro.

Segundo Fabrício Bianchi, consultor do Sebrae Londrina, empresas de base tecnológica da cidade são constantemente "assediadas por empresas nacionais e internacionais para fusões e aquisições", um sinal de que os empreendimentos londrinenses estão "incomodando o mercado" ou que oferecem soluções inovadoras. "Essas transações são interessantes, mostram que as empresas daqui têm competência de negócios na área de inovação", comenta Bianchi. "Mostram o grau de maturidade das empresas de Londrina", acrescenta Marcus von Borstel, presidente do Sindicato da Indústria de Software do Paraná (Sinfor).

Para ele, outro fator que atrai atenção para a cidade é o fato de Londrina ter um dos maiores números de certificações que atestam a qualidade do software produzido aqui. Além disso, tem um Arranjo Produtivo Local (APL) e uma unidade do Instituto Senai de Tecnologia da Informação e Comunicação (IST). A presença de uma operadora de telefonia pública local, a Sercomtel, e de um "ecossistema funcionando em harmonia" com entidades, universidades e governos também ajudam.

Para Luís Carlos Albuquerque Silva, presidente do Arranjo Produtivo Local de Tecnologia da Informação (APL TI) de Londrina e Região, as recentes transações no setor deixam claro a intenção de outras empresas de brigar por um determinado mercado. As empresas ou startups de hoje, por outro lado, são compostas por empreendedores da geração Y, que têm uma visão mais "desapegada" de negócios. Isso, para o presidente, vai naturalmente levar a mais transações.

E, para Londrina, as transações são positivas uma vez que, em muitos casos, os empreendimentos continuam na cidade e, em outros, os empreendedores das empresas comercializadas continuam no município e reinvestem o dinheiro em novos negócios. "A tecnologia hoje permite escalar o negócio de forma mais rápida. Quando ele é vendido, é possível reinvestir o dinheiro para fazer isso mais vezes."

Pedro Sella, diretor de Ciência e Tecnologia do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), afirma que o interesse de organizações nacionais e internacionais por empresas londrinenses reafirma a capacidade técnica e de empreendedorismo da cidade, e a maturidade de todo o ecossistema de apoio ao desenvolvimento instalado em Londrina. "Mostra que conseguimos competir de igual para igual com grandes centros."

Para Sella, a aquisição de empresas londrinenses por corporações de outros estados ou até países não tira da cidade a oportunidade de desenvolvimento do setor de TI. "Acaba trazendo mais maturidade empresarial. As empresas que se tornam filiais ganham em escala, contratam mais pessoas."

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