Aquicultura cresce, mas sobra mercado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A aquicultura, cultivo de plantas e animais aquáticos, teve um salto de produção nos últimos dez anos no Brasil: são 210 mil toneladas por ano, sendo que isso representa apenas 10% da capacidade nacional. A informação é do coordenador do Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Antônio Ostrensky.
Ostrensky, junto com outros dois pesquisadores paranaenses, Nadia Rita Boscardin Borghetti e José Roberto Borghetti, lançam hoje o livro ''Aquicultura, uma visão sobre a produção de organismos aquáticos no Brasil e no mundo'', durante o World Aquaculture 2003, o maior evento mundial sobre o tema. O encontro, que está na 30 edição e ocorre pela primeira vez no País, está sendo realizado em Salvador (BA), desde segunda-feira passada até a próxima sexta-feira.
''As empresas vêem no Brasil um grande mercado, que teve o crescimento embasado na produção de camarão'', disse Ostrensky. As 210 mil toneladas produzidas atualmente representam US$ 830 milhões. Do volume total, cerca de 60 mil toneladas são de camarão, voltado principalmente para exportação, e o restante, de peixe de água doce, direcionado para consumo interno.
De acordo com o professor, o Brasil tem conquistado mercados que pertenciam anteriormente ao Equador e a países asiáticos, com maior tradição na produção de organismos aquáticos. As exportações são destinadas principalmente para os Estados Unidos e Europa. A produção de peixes se concentra no Sul do País e a de camarões, responsável pelo salto na aquicultura brasileira, no Nordeste.
A aquicultura deve continuar crescendo, independente das ações governamentais sobre a atividade, observou Ostrensky. Para ele, a criação da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não traz muitos benefícios em um primeiro momento. ''De 1997 para cá o Ministério da Agricultura estruturou as diretrizes para o setor. Agora a secretaria está fazendo outra estruturação, mas como faltam técnicos, as ações que dependem do governo estão paradas'', explicou.
O livro de Ostrensky, Borghetti e Nadia Rita estará a venda a partir de segunda-feira pelo site http://gia.bio.ufpr.br, pelo valor de R$ 40,00.


