Curitiba As medidas que o governo federal divulgou ontem para diminuir a crise no campo e aumentar o crédito dos agricultores do País foram consideradas insuficientes pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). ''O pacote deu um refresco no alongamento das dívidas mas não resolveu o problema dos preços dos produtos agrícolas'', disse o assessor econômico da entidade, Carlos Augusto Albuquerque. Segundo ele, com isso, o produtor não tem renda para pagar as dívidas. Ele não soube informar se os produtores rurais vão intensificar os protestos após a divulgação das medidas.
Para o presidente da Faep, Ágide Meneguette, o pacote ficou aquém do necessário. Segundo ele, o governo divulgou um Plano de Safras em condições melhores para o novo plantio, mas sem resolver o monstruoso passivo que pesa sobre os produtores rurais. Para ele, sem ter garantia de renda, nenhum Plano Safra terá qualquer efeito positivo. ''Alongar as dívidas é um mero paliativo e o pacote anunciado não passa de medidas paliativas. O governo alongou as dívidas mas não resolveu o problema do câmbio e enquanto esse problema não for resolvido, não há solução'', declarou.
De acordo com informações da Faep, os produtores rurais vêm acumulando prejuízos e dívidas desde o segundo semestre de 2004, o que inclui duas safras de verão e duas de inverno.
O presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, João Paulo Koslovski, considerou prematuro fazer comentários sobre o pacote de medidas. A entidade informou que pretende primeiro analisar o assunto.
As 399 prefeituras do Estado apoiaram ontem os agricultores mas, a maioria, decidiu não fechar as portas para não prejudicar os serviços essenciais e nem as aulas dos alunos da rede pública de ensino. Ficaram fechadas 82 prefeituras, 30 na Região de Maringá por duas horas, 32 em Umuaramam, 11 na região de Cascavel e nove na região de Jacarezinho. O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Nova Olimpia, Luz Sorvos, disse que os prefeitos são solidários ao protesto porque consideram o movimento legítimo.
Ontem, a Polícia Rodoviária Estadual registrou 11 pontos de bloqueios dos agricultores em rodovias nas regiões de Londrina, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, e Pato Branco. A América Latina Logística não registrou nenhum bloqueio nas rodovias do Estado.

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