Aquecimento pode causar prejuízo de US$ 1,3 tri
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Se apenas 0,12% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial fosse aplicado em ações de prevenção e proteção do meio ambiente seria possível redirecionar os efeitos das mudanças climáticas que atingem o planeta. A observação foi feita pela educadora em sustentabilidade May East, brasileira radicada na Escócia, que ainda afirmou que um dos camimhos para reverter o quadro atual da degradação ambiental é apostar no design inovador e sustentável. ''Por que desenhar sustentavelmente? Porque o curso presente está insustentável e adiar uma ação não é mais opção, as ações são uma necessidade''.
Segundo ela, dados publicados pelo Tesouro Britânico apontaram prejuízos em torno de 3% do PIB mundial, perto de US$ 1,3 trilhão, se a temperatura do planeta subir os 3ºC, previstos para os próximos anos. É preciso, acrescenta, mudanças urgentes pois não existirá um ambiente saudável se não houver sustentabilidade.
Nesse sentido, May pontua a importância - e o desafio - de um modelo de design integrado da sustentabilidade. E quando fala em design, a educadora sugere novos desenhos em vários níveis, de embalagens de produtos à construção civil. May, que atua internacionalmente com entidades intergovernamentais, com grandes organizações e com as Nações Unidas na criação de orientação estratégica para o desenvolvimento sustentável participou esta semana de um workshop sobre o assunto, no Centro de Educação para Sustentabilidade AlphaVille (CES), em Santana de Parnaíba (SP).
''É preciso privilegiar a ecologia no processo de construção, diminuindo os resíduos, os desperdícios de produtos e utilizando materiais que agridam menos o ambiente'', exemplificou a educadora. O setor da construção, por sua vez, é responsável por 8% do efeito estufa, conforme ela, por isso precisa ser uma das áreas a enfocar ações de mundaça do cenário atual.
Mas as mudanças e atitudes não devem ser concentradas. Como desenhar a mudança? Segundo May, muitos acreditam que a solução é tecnológica, porém a complexidade dos problemas é grande. ''Temos de pensar de forma complexa e não linear. São três pilares da sustentabilidade: desenho social, econômico e ecológico e que devem ser aliadas à visão do mundo'', resume.
No que diz respeito ao processo de reciclagem, por exemplo, seria interessante uma mudança de conceito, na opinião da educadora. ''O produto não deve ser apenas reciclado, isso só adia a chegada desse material ao aterro sanitário. O melhor seria 'upciclar' o produto, ou seja, redestinando e não apenas atrasando o seu fim'', explica.
Petróleo
Sobre a necessidade de mudança de comportamento, a educadora ambiental reforça que os recursos naturais disponíveis estão chegando ao limite e se torna necessário - principalmente por questões ambientais - encontrar maneiras de viver sem isso. Ela cita o petróleo, produto embutido em boa parte das coisas ''que giram ao nosso redor'', que está alcançando seu pico de produção.
''Essa substância nos torna mais fortes, mais velozes. A gente acha que o produto vai existir para sempre e construimos nossas vidas de forma a dependermos dele. Mas precisamos encontrar a independência'', recomenda, alertando para o problema da água potável no planeta, a qual também pode se tornar limitada. Qualquer recurso natural finito, tem começo, meio e fim. ''É o fim do petróleo barato e abundante. Agora é preciso pensar em como vamos desenhar nossa sociedade para que ela se torne resiliente, ou seja, absorva as mudanças e se mantenha em funcionamento'', reflete.
Crise econômica
E como se tornar resiliente? May aponta que diante de choques extremos é possível uma mudança. Ela dá como exemplo a crise econômica mundial, a qual deixou dezenas de países em recessão. ''Uma crise é uma coisa horrível de se desperdiçar. Queremos mudança? Então precisamos reavaliar nossos valores durante um período difícil'', frisa. Na Grã-Bretanha, por exemplo, como houve muito desemprego por conta da crise, a população reativou algumas práticas do pós-segunda guerra, como ficar mais tempo com a família e cultivar comida em qualquer cantinho disponível em casa. ''Qualquer atitude que vise à melhoria do meio ambiente é válida, o que não podemos é não fazer nada'', recomenda a educadora.
* A jornalista viajou a convite do AlphaVille Urbanismo


