Os danos à lavouras de terceiros pela aplicação inadequada do herbicida 2,4D, continuam provocando muita discussão e até a instituição de leis municipais, proibindo a comercialização do agrotóxico no âmbito de alguns municípios do Vale do Ivaí e Noroeste do Estado. Já foram aprovadas leis vetando a aplicação do 2,4D em São João do Ivaí, onde agricultores acusavam danos em lavouras de algodão; em Marialva, devido a prejuízos em culturas de uva; e em Marilândia do Sul, onde a reclamação dos produtores de tomate é constante. Outro Município que proibiu o 2,4D, por iniciativa do ex-prefeito Rodolfo Raider, foi Borrazópolis.
Agora a discussão do tema foi deflagrada na Câmara de Vereadores de Apucarana, por iniciativa do vereador Dinalmo Simões (PSB), que apresentou projeto de lei proibindo do uso deste herbicida no município.
Devido a falta de conhecimento sobre as características do produto e a legislação federal para agrotóxicos, o presidente da câmara, Satio Kayukawa (PFL), convidou o professor José Carlos Vieira Almeida, do curso de agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para prestar esclarecimentos.
Almeida, que é agrônomo especialista em herbicida, falou aos vereadores na sessão de terça-feira e chegou a irritar alguns deles por defender demasiadamente o produto. Durante o encontro com os vereadores, Almeida também admitiu que presta serviço a multinacionais que industrializam o 2,4D.
Simões, que chegou a anunciar a retirada do projeto devido a resistência de alguns colegas, confirmou que vai mantê-lo, esperando que seja discutido e votado na Câmara. O vereador elaborou o projeto baseado em denúncia de agricultores prejudicados pela aplicação do herbicida, que estão tentando inclusive obter indenizações.
‘‘São muitos casos registrados em Apucarana e existe até um abaixo-assinado subscrito por cerca de 200 produtores da região de São Pedro do Taquara, que exigem a proibição do herbicida’’, argumentou Simões, lembrando que a situação é idêntica no distrito do Barreiro.
O produto é utilizado por grandes produtores no plantio direto e os sitiantes que estão próximos sofrem prejuízos em lavouras de algodão, café, hortaliças e pomares devido a sua aplicação inadequada.
Quanto a eficiência do 2,4D e a argumentação feita na Câmara de Apucarana pelo professor Almeida, defendendo o produto, Dinalmo Simões fez questão de observar que o agrônomo presta serviços de pesquisa científica para indústrias de defensivos agrícolas, inclusive para uma multinacional que é fabricante do 2,4D.
Em relação ao projeto de lei de Simões, o presidente da Câmara, Satio Kayukawa, que também preside o Sindicato Rural de Apucarana, argumenta que uma lei municipal não pode sobrepor outra federal. ‘‘Sabemos que os fabricantes de 2,4D têm registro no Ministério da Agricultura e autorização para comercializar o produto em todo o território nacional’’, frisou.
Para Kayukawa, o que o município pode fazer é restringir a venda do herbicida, exigindo mais rigor na fiscalização e, principalmente a indispensável orientação técnica para aplicação do herbicida de forma correto, evitando prejuízos a terceiros.
Denúncia ao Crea Em novembro de 2000, a engenheira agrônoma Gisele Braile Turquino, de Londrina, denunciou ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), em Curitiba, a aplicação incorreta do agrotóxico 2,4D em lavouras do Norte do Estado. Segundo ela, 200 mil pés de café foram danificados somente em uma fazenda, no município de Bela Vista do Paraíso.
Proprietária de uma fazenda afetada pelo uso incorreto do herbicida, Gisele Turquino argumentou, na época, que alguns agricultores não estariam adotando as precauções necessárias ao pulverizar o produto, causando estragos irreversíveis e em grande escala.
O produtor rural Flávio Turquino (pai de Gisele), confirmou que a ele restou apenas o prejuízo. ‘‘Ninguém foi responsabilizado e os danos na lavoura de café não foram ressarcidos’’, resumiu.

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