O município de Apucarana é um dos maiores centros de beneficiamento de arroz do Paraná. Na década de 70, ostentava o título de uma das maiores praças de comercialização do grão do País, título que foi perdido devido a queda da produção do Estado. Apesar da comercialização ter perdido espaço, as cerealistas ficaram, mesmo que em menor quantidade.
Há 30 anos, a cidade abrigava mais de 40 estabelecimentos do gênero. Hoje são pouco mais de 10. ''Usamos equipamentos mais modernos, temos mais tecnologia. A nossa capacidade de beneficiamento é maior'', frisa o empresário do ramo Sérgio Biazze. No entanto, na década de 70 a comercialização de grãos era tão forte que, devido a esse fator, foi instalado na cidade o escritório da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab).
No Paraná, foi o primeiro escritório montado fora das sedes regionais. ''Cheguei em Apucarana entre 79 e 80 e vim para acompanhar o comércio e os preços do arroz e do feijão'', lembra Paulo Franzine, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Seab. Em Apucarana, chegava de trem ou de caminhão o arroz em casca que era beneficiado pelas cerealistas.
Já o empresário Luiz Fernando Frias, sócio-proprietário da Alimentos Frias, lembra que o arroz chegou a ser cultivado na região na década de 70. ''Como as ruas de café eram largas, era costume plantar arroz ou feijão entre os pés. Depois, com as geadas os cafezais foram erradicados e começaram as plantações de soja e milho'', comenta.
E mesmo com toda a movimentação e comércio intenso, nenhuma bolsa de cereais chegou a ser instalada na cidade. A comercialização era feita individualmente por cada cerealista. ''O preço era determinado pela lei da oferta e da procura, não havia imposições'', explica Franzine. Depois, para baratear o frete, o beneficiamento do arroz passou a ser feito nos próprios Estados produtores.
''Com isso outras praças como Londrina e Maringá passaram também a comercializar esse arroz, houve mais distribuição e o pólo foi perdendo a força'', comenta Franzine. Atualmente, a matéria-prima que abastece as indústrias de beneficiamento de Apucarana continua vindo do Rio Grande do Sul ou do Mato Grosso. Os cerealistas não sabem explicar porque o preço do produto está caindo no mercado nacional. ''É atípico para a época, já que estamos na entressafra. Mas o dólar está baixo e está entrando arroz importado no mercado'', afirma Luiz Fernando Frias.
Já Sergio Biazze lembra que o Rio Grande do Sul teve uma super-safra de arroz. ''Somada à queda do dólar o preço caiu'', disse. Agora, a categoria enfrenta um outro problema: a concorrência desleal. Segundo ele, arroz empacotado no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso estão entrando no mercado estadual a preços inferiores. ''Nos dois Estados há incentivo fiscal forte e no Paraná não há'', explica.

mockup