O entusiasmo do consumidor paranaense com a derrocada dos preços do etanol pode estar com os dias contados. Após uma queda que chegou a ultrapassar os sessenta centavos em postos de algumas regiões do Estado, o combustível deve voltar a subir. Entidades ligadas ao setor disseram à FOLHA que com preços na casa de R$ 1,60, a margem de lucro está mínima para toda a cadeia. Segundo informações do indicador semanal do Cepea/Esalq, entre os dias 9 e 13 de maio o etanol hidratado estava sendo comercializado a R$ 0,96/l. Este valor é calculado sem frete e livre de impostos.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontam que em Londrina o álcool estava com o preço médio na última semana de R$ 1,82, com o valor mínimo de R$ 1,65 e o máximo R$ 2,19. Para Adriano da Silva Dias, superintendente da Alcopar, há sempre uma preocupação quando o produto sobe demais, e também quando desce bruscamente. ''Quando está muito elevado, afasta o consumidor, mas quando cai, toda a cadeia é prejudicada. O etanol já está bem próximo ao custo de produção. A margem de lucro está restrita'', comenta ele.
Na cidade, a relação do preço do etanol com o da gasolina já chega a ser de 57% em certos estabelecimentos. ''Tal conta não pode passar dos 70%, mas abaixo dos 60% também é ruim. O preço médio do ano passado ficou entre R$ 1,70 e R$ 1,80 e a tendência é que fique um pouco acima deste valor este ano. O consumidor tem mais é que aproveitar o momento'', relata Dias.
Roberto Fregonese, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis no Paraná (Sindicombustíveis-PR), explica que os preços estão caindo há poucos dias e ainda a entidade não conseguiu medir o consumo do etanol nos postos do Estado. ''Estamos importando gasolina em função do consumo elevado. Deveremos ter mais quedas no preço do etanol enquanto houver essa migração da gasolina para o álcool. Hoje, o custo deste combustível para o posto está, em média, em R$ 1,55'', calcula Fregonese.
Em relação à preocupação de desabastecimento de etanol no Paraná, o superintendente da Alcopar salienta que é bem improvável. Das 30 usinas do Estado, 27 estão em plena operação para a safra 2011/2012, que deve fechar em torno dos 25,4 bilhões de litros do produto (hidratado e anidro). ''Estamos em pleno início de safra, que está correndo dentro da normalidade. É difícil assegurar alguma coisa, mas o cenário não deve mudar'', afirma.

mockup