Aprovado no Senado, Fraga assume hoje
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Agência Estado 
O Senado confirmou ontem a indicação do economista Armínio Fraga para a presidência do Banco Central, 30 dias depois de ele ter sido escolhido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O placar registrou 57 votos a favor e 20 contrários. Também foram aprovados os nomes dos diretores de Assuntos Internacionais, Daniel Luiz Gleizer (52 votos a 19 e 2 abstenções); de Assuntos Administrativos, Edison Bernardes dos Santos (64 votos a 7 e 2 abstenções); de Fiscalização, Luiz Carlos Alvarez (65 votos a 7 e uma abstenção); de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo (52 votos a 18 e 2 abstenções) e de Política Econômica, Sérgio Ribeiro da Costa Werlang (53 votos a 19 e uma abstenção).
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, dará posse hoje a Armínio Fraga e aos diretores. O ato formal, autorizado pela publicação da decisão do Senado no Diário Oficial, permitirá a Fraga participar da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a qual existe uma grande expectativa no mercado. Inicialmente prevista para ontem, a reunião foi adiada para possibilitar a participação de Fraga e dos novos diretores. O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco transmitirá o cargo na segunda-feira, às 14 horas.
O debate no plenário, com mais de duas horas, foi dominado pela oposição. Discursaram contra a designação de Armínio Fraga 11 senadores, basicamente repetindo os argumentos que utilizaram na sexta-feira na sabatina do presidente indicado do BC e dos diretores, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Apenas o líder do governo, Romeu Tuma (PFL-SP), fez o encaminhamento defendendo a escolha do presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, o economista mostrou na comissão que tem condições para assumir o cargo. A votação foi secreta. Dos 20 votos contrários a Fraga, 14 são de integrantes do bloco da oposição. Os demais são de dissidentes da ala que apóia Fernando Cardoso.
A surpresa nos discursos ficou por conta da senadora Maria do Carmo Alves (PFL-SE), da ala governista. Ela leu um texto que misturava, sem sequência, várias questões de política econômica. No final, sem precisar se rejeitava ou apoiava o nome de Fraga, manifestou-se preocupada com os destinos do Brasil, se seguirmos a política do FMI, sob os riscos de seguir os destinos da Ásia e da Rússia. Houve a intervenção do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), após o senador José Eduardo Dutra (PT-SE) dizer no seu discurso que Armínio Fraga não tem reputação ilibada para ser guardião da moeda brasileira e, sim, do dólar.
ACM pediu aos senadores que moderassem a linguagem para que não ocorra aqui o que houve na CAE, onde, segundo ele, houve abusos nas colocações. A sessão foi interrompida duas vezes pelos atritos entre os senadores. Em um deles, o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) reagiu à afirmação de Roberto Requião (PMDB-PR) de que ele, presidente do PFL, estaria presenciando a aprovação do nome de Fraga com sorriso de escárnio.
Irritado, Bornhausen disse que não aceitava esse tipo de provocação. Tenho responsabilidade de ser o presidente de meu partido e não vou aceitar colocações incoerentes e incorretas, bronqueou.
Pouco depois foi a vez de ACM se irritar com a insistência do senador Ademir Andrade (PSB-PA), que disse não aceitar manobras para impedi-lo de falar, mesmo sem estar inscrito. Que manobra?, reagiu Antonio Carlos Magalhães. Alterado, ele pediu a Andrade que respeitasse as regras da Mesa Diretora e que entrasse logo no assunto, dando encaminhamento contrário ao parecer favorável a Armínio Fraga.
Fraga almoçou ontem, pelo segundo dia consecutivo, com o presidente Fernando Henrique Cardoso. O porta-voz do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, informou que no almoço também estava presente o ex-deputado Roberto Campos. O objetivo da reunião foi avaliar o cenário internacional, disse Amaral, sem esclarecer qual foi essa avaliação.
O ministro Clóvis Carvalho, por sua vez, comentou que normalmente o presidente pode falar e se encontrar com o presidente várias vezes ao dia, sem que a imprensa tenha conhecimento. Sobre a alta da taxa do dólar, o ministro lembrou que a política cambial é conduzida pelo Banco Central e que ele não comenta o tema.


