Os membros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovaram ontem por maioria a operação de compra da rede de supermercados Mercadorama feita pelo grupo português Sonae, em 1998. Cinco dos sete integrantes do conselho entenderam que a aquisição não representou concentração de mercado nem monopólio no setor supermercadista na região de Curitiba. As informações na época era de que a venda da então maior rede de supermercados do Paraná, pertencente ao empresário Roberto Demerterco, daria à Sonae 45% de controle do varejo.
Apenas os conselheiros Mércio Felsky e Hebe Romano votaram contra a transação comercial. Eles entenderam que deveriam impor algumas restrições ao grupo Sonae, evitando desta maneira que ele ditasse as regras em Curitiba. Felsky estava com o processo do Sonae há duas semanas, período em que analisou com mais atenção a forma como foi feita a venda.
Entre os votos favoráveis à aquisição esteve o da própria relatora do processo, conselheira Lúcia Helena Salgado, que já havia divulgado sua opinião no final do ano passado. Ela argumentou que há dezenas de pequenas lojas e mercados de bairros que somados acabam tendo peso significativo na hora de medir a fatia de mercado que ficou nas mãos da Sonae. É costume dos demais conselheiros seguirem o voto da relatora.
Um estudo feito a pedido da Sonae vai de encontro ao que defendeu à relatora. A pesquisa feita por um consultor de empresas indicou que o pequeno comércio varejista representava 20% do total de vendas na cidade. Além do Mercadorama, o grupo português detém hoje as marcas Coletão, Mufattão (Londrina e Cascavel), Big e as antigas lojas Real, que foram transformadas em Mercadorama.
Além de aprovar a venda do Mercadorama, os conselheiros do Cade encaminharam ontem para a Secretaria de Direito Econômico um pedido para investigar o setor supermercadista no Paraná. Eles se baseiam na série de denúncias coletadas no final do ano passado, dando conta de que as redes Sonae, Extra, Wall Mart e Carrefour estariam pressionando os fornecedores com a cobrança de taxas abusivas. As tarifas variavam de R$ 2 mil a R$ 20 mil. Os supermercados implantaram também novas cobranças como a locação de espaço nas gôndolas para o fornecedor manter o produto. Há ainda a cobrança do rappel, que é uma taxa para a ampliação da rede.

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