Aprovação de nova lei gera crise política
Buenos Aires - O Fundo quer que a maior parte dos fundos arrecadados sejam destinados à União, já que considera que as províncias costumam ''dilapidar'' o dinheiro. Por trás disso, o interesse do FMI é que a União tenha mais dinheiro em seus cofres para pagar os credores privados.
No entanto, as províncias relutam em aceitar uma redução dos fundos que recebem com a atual lei de co-participação. A principal opositora - e a que mais pode perder com a nova lei - é a província de Buenos Aires, cujo governador, Felipe Solá, está em curto-circuito com o presidente Kirchner. Solá conta com o respaldo de Duhalde, o verdadeiro dono do poder na província, a qual controla como seu feudo pessoal.
O problema para Kirchner é que sem os deputados bonaerenses (e mais ainda os controlados diretamente por Duhalde) é impossível aprovar coisa alguma no Congresso Nacional.
Sem perspectivas sobre quando poderá aprovar a nova lei (que teria que ter sido aprovada em maio, segundo o acordo com o FMI), Lavagna pedirá desculpas e pedirá ao Fundo um prazo maior.
Essa não será a única complicação. O FMI também verá em Buenos Aires um clima sombrio sobre as negociações de reestruturação da dívida com os credores privados.
A nova proposta de redução da dívida, recentemente apresentada, foi alvo de um rechaço generalizado. As reuniões com os credores nacionais e internacionais teriam que ter começado há mais de uma semana.
No entanto, nenhum dos grupos de credores se apresentou. O problema é que o FMI exige que a proposta tenha pelo menos a adesão de dois terços dos credores atingidos. (A.P./AE)





