Aprendizagem financeira na escola pública
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Mariana Fabre<br>Reportagem Local 
Conteúdos como história monetária, valor de moeda, consumismo, impostos, poupança, orçamento doméstico, aposentadoria e financiamentos farão parte da grade curricular das escolas públicas a partir de 2012. O Governo Federal instituiu, por meio de decreto, a Estratégia Nacional de Educação Financeira, que reúne diversas iniciativas pedagógicas com o objetivo de erradicar o analfabetismo financeiro no país.
Os temas abordados em educação financeira serão distribuídos entre a grade de aulas convencionais. Portanto, não haverá uma disciplina específica para educação financeira. De acordo com a diretora do Departamento de Políticas Públicas da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, Fernanda Scacioto Simões da Silva, a legislação não determina especificamente quais conteúdos devem ser abordados na educação financeira. No entanto, a orientação é de que essas informações perpassem todas as áreas do conhecimento. Em uma conta de água é possível abordar a meta de consumo, o quanto o valor representa no orçamento, qual imposto está inserido, como é a regulação para economia de consumo e preocupação com o meio ambiente, exemplifica Fernanda.
O Paraná já possui ações de orientação para educação fiscal, praticadas nas escolas públicas. Segundo a diretora, este ano serão realizadas capacitações para formação de disseminadores de educação fiscal entre os professores da rede pública. Para seguir a orientação do Governo Federal, o conteúdo das capacitações será adequado para a educação financeira.
A diretora de Ensino da Secretaria Municipal de Educação de Londrina, Nádia Oliveira Carbonaro Marques, explica que serão trabalhados conteúdos adequados para a faixa etária de cada série. Em História, por exemplo, é possível abordar o sistema de moedas, e o valor monetário pode ser abordado em Matemática. Durante uma interpretação de texto, também é possível reforçar os conceitos de Ciências, como determinar onde estão os recursos naturais usados na produção, ressalta.
Segundo Nádia, o principal objetivo é tornar estes conteúdos - consciência de gasto, desperdício de dinheiro, administração de mesada, valor real agregado a cada objeto e planejamento financeiro - transparentes para os alunos. É uma oportunidade de mostrar como se organizar para poupar, argumenta Nádia Marques. Ao receber o decreto com as diretrizes do Governo Federal, a Secretaria Municipal de Educação dará início a capacitação dos professores.
Avanço importante
O professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Antonio Cunha, avalia a iniciativa como excelente. Vai permitir que nossos filhos tenham condições melhores de vida. Eles vão saber fazer investimentos e aproveitar o salário e a aposentadoria, argumenta. Segundo Cunha, muitos desses jovens poderão, inclusive, ajudar os pais no controle do orçamento familiar. É um avanço importante, analisa o professor, alegando que a educação financeira é uma necessidade extrema no Brasil.
Dentre os conceitos trabalhados em sala de aula, Cunha acredita que os fundamentais devem envolver noções de matemática financeira - capitalização, juros, rentabilidade -, orçamento familiar ou pessoal e conscientização sobre a importância de poupar. Ao aprender a poupar e, consequentemente, a postergar determinado consumo, o cidadão terá condições de fazer uma compra mais segura. Hoje muitas pessoas compram pensando na parcela, mas não sabem calcular quanto os juros vão incidir e acrescentar nesse valor, salienta Cunha. Segundo ele, a educação financeira também pode fazer com que os consumidores reconsiderem a troca de bens com tanta velocidade, o que geralmente resulta em um consumismo sem necessidade e feito por impulso.


