Aprendizado que vem da crise
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
A crise econômica fez que 79% dos brasileiros mudassem seus hábitos em relação ao dinheiro. Essa é a conclusão de pesquisa feita pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), em parceria com o BCB (Banco Central do Brasil). Dentre as mudanças de hábitos, destaque para a pesquisa de preços (59%), redução de gastos com o lazer (56%) e para o controle de gastos pessoais e/ou com a família (55%).
Devido à recessão econômica, as saídas aos fins de semana perderam espaço na rotina da diarista Rosângela Ferreira. "A gente sempre saía bastante, para passear, mas agora não sai mais. Diminuiu muita coisa, mercado evito ir o máximo que posso e roupa e sapato nem pensar", ela conta. "A situação ainda está muito difícil, o salário é muito pouco." Mas mesmo que a situação melhorar esse ano, ela diz que vai manter esses hábitos. "Vou manter porque tenho objetivos na vida. Trocar de moto, de carro."

Segundo a pesquisa da CNDL/SPC Brasil e Banco Central, 71,3% ainda vai buscar economizar nos serviços de luz, água e telefone mesmo se a situação econômica melhorar em 2019. Outros 68,5% continuarão a substituir produtos por marcas similares mais baratas e 66,7% se atentarão a promoções. "A situação econômica desfavorável acabou deixando uma lição para a maioria dos brasileiros que perceberam o quanto é fundamental ter uma vida financeira mais controlada", avaliou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, em nota da assessoria da SPC Brasil e CNDL. "Pesquisar preços, repensar gastos, avaliar se realmente é necessário adquirir um determinado produto ou mesmo o simples fato de pedir desconto nas compras são atitudes que contribuem para uma gestão eficiente do orçamento e evitam ficar no vermelho."
O funcionário público José Henrique Landegrafi, reduziu a frequência com que realizava churrascos em casa. Se antes ele reunia família e amigos para comer carne uma vez por semana, os eventos passaram a acontecer apenas uma vez ao mês. A marca da cerveja foi trocada por outra mais em conta e em vez de comer fora as refeições passaram a ser feitas em casa mesmo. "São atitudes simples, mas que no final do mês fazem diferença." Pai de primeira viagem, Landegrafi também economiza para a chegada do bebê. Mas caso a economia melhore, ele considera retomar os hábitos anteriores para ter uma vida menos regrada.
A vontade de voltar ao estilo de vida anterior é o que levaria a maioria dos entrevistados (42,5%) na pesquisa a abandonar os hábitos adquiridos com a crise. O gosto por boas marcas é outro dos principais motivos (26,7%), seguido por dificuldades em manter uma vida financeira regrada (22,8%). Mas, de uma situação ruim, como a crise, podem vir bons frutos e a educação financeira é uma delas. Mais da metade dos pesquisados no estudo da CNDL/SPC Brasil e BCB disseram que passaram a pesquisar preços depois da crise. Organizar gastos (44,8%) e economizar dinheiro (44,4%) foram outros aprendizados citados.

"Bons hábitos de educação financeira costumam ser encarados como restrições a experiências positivas de consumo. Mas ter um orçamento planejado e controlado acaba viabilizando objetivos importantes na vida das pessoas", comentou a chefe do departamento de promoção da cidadania financeira do Banco Central, Luis Mansur, em nota da assessoria de imprensa. "Deixar de comprar aquele par de tênis da moda, por exemplo, ajudar na compra do material escolar. Além disso, uma boa gestão do orçamento também prepara qualquer um para eventuais imprevistos que surjam. Cuidar bem das finanças evita o estresse que costuma vir junto com o endividamento ou o aperto financeiro."


