Aprendendo a gerenciar crises
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de abril de 1998
Francisco Antônio Feijó 
Em época de vacas gordas, patrões, empregados e sindicatos, sentavam-se em mesas redondas e ajustavam valores e benefícios, sem maiores preocupações, certos de que o que estavam dando, tinha retorno garantindo, acrescido ao custo do produto final negociado.
Era simplesmente uma troca de favores, eu te dou, você acaba me ajudando a cobrar mais no preço do que produzo ou vendo.
De tantas negociações, de tantos aumentos, algumas categorias, chegaram a situações dramáticas, como as que estamos enfrentando já há alguns anos, em que o desemprego cresce assustadoramente.
Valeu a pena ter negociado vantagens elevadas, dentro do princípio bastante conhecido de quem vai com muita sede ao pote, pode quebrá-lo?
O pote quebrou.
Negociações recentes trazem, no máximo, meros ajustes de índices inflacionários quase zerados, dentro do princípio de que estamos entrando em período de deflação.
Patrões, trabalhadores e sindicatos não estavam preparados para enfrentar situações como essas, e ai estão lamentando perdas e quebras.
E o que é pior, muitas categorias, cujas bandeiras de negociações desfraldavam a crise, a inflação galopante, a necessidade de dar ao trabalhador, vantagens cada vez mais elevadas, agora estão as voltas com a problemática, de não conseguirem qualquer vantagem e o que é pior, sentir a arrecadação sindical, confederativa e assistencial, cair assustadoramente, simplesmente porque, aqueles trabalhadores que não são descontados cumpulsoriamente em folha, se negam a pagar, suas contribuições, sob a alegação de não terem dinheiro ou por entenderem que são muitas e não estão recebendo nada em troca.
É o desequilibrio do toma lá da cá.
Isso está ocorrendo também com os profissionais liberais, quando reclamam que além de pagarem suas contribuições aso conselhos e as ordens, ainda precisam pagar aos sindicatos e quando constituídos em empresas, aqueles que carregam categorias profissionais patronais.
Para que eu possa exercer uma profissão regulamentada, eu preciso, registrar o meu diploma no conselho ou na ordem, a que estiver minha categoria subordinada, sem esse registro, não obstante formado, eu serei um leigo, sujeito a atuação, por exercício ilegal da profissão.
Os conselhos e as ordens, registram e fiscalizam os profissionais, defendendo os interesses dos usuários dos serviços dos mesmos.
Aos sindicatos compete a defesa do profissional, perante terceiros e em especial, no que concerne as suas relações de trabalho.
Paralelamente, vamos encontrar associações, institutos, academias, enfim, outro entes civis, que se dedicam a congregar para a cultura e o desenvolvimento técnico, em busca do aprimoramento da categoria profissional.
O que importa é que, se o profissional liberal está no exercício de suas funções, para isto devidamente credenciado pelo órgão que o registra e fiscaliza e defendido por sua entidade sindical, deve concorrer para a manutenção dessas instituições, sob pena do enfraquecimento das mesmas e prejuízo para toda a categoria profissional.
Discussões, retaliações, acusações, não levam a nada.
Se todos trabalharem em conjunto, conselhos, ordens, sindicatos, associações, institutos, como felizmente já acontece em muitas categorias profissionais, todo o universo profissional liberal sairá ganhando.
FRANCISCO ANTONIO FEIJÓ, é Secretário Geral da CNPL - Confederação Nacional das Profissões Liberais.


