São Paulo - Quantas vezes voltamos do shopping ou do mercado com coisas que não precisamos? Ou sucumbimos ao conforto, à propaganda, à tendência da moda, à tentação do comprar já? Por causa do ''leve três ou da tentadora ''oferta'', estamos sempre precisando comprar. E quase sempre nos esquecemos de fazer uma compra consciente: pesquisando preços, verificando a qualidade, checando a confiabilidade da loja. ''O ideal seria que só adquiríssemos aquilo de que realmente necessitamos'', diz Luisa Borges, autora do livro Salve seu Bolso.
Como isso é quase impossível, ela dá algumas dicas. ''Evite fazer compras no dia em que recebe o pagamento, pois existe a falsa impressão de que está sobrando dinheiro; evite o sábado, quando as lojas estão cheias e não se pode escolher com calma; não vá ao supermercado com fome, pois ela estimula a compra de alimentos supérfluos; não compre quando se está com pressa, com raiva, tristeza ou depressão, pois a cura para essas sensações não está nos centros comerciais, e por aí vai...''
Uma boa compra exige cuidados, que são imprescindíveis para evitar dissabores. ''Planejar, pesquisar, negociar, pechinchar são hábitos que o consumidor precisa desenvolver se quiser ter uma vida mais tranquila. Atitudes não são apenas válidas para tornar melhores as relações de consumo, mas para aprimorar a sua postura diante da vida.''
Segundo Luísa, o lado bom dessa história é que, embora as empresas queiram empurrar seus produtos aos clientes, elas também têm com que se preocupar: com sua marca, com seus concorrentes e, principalmente, com o consumidor - pois tem de conquistar a sua fidelidade. E, quando o consumidor reclama, ele ''pisa nos calos'' do fornecedor. Por isso, ele tem de aprender duas coisas: primeiro, a comprar. Depois, a reclamar. ''A boa compra começa com uma pergunta básica: eu estou precisando disso?'', lembra Luisa.
Ela também prescinde de uma pesquisa, e isso não significa andar de loja em loja perguntando preço. ''É preciso informar-se sobre a qualidade, idoneidade da empresa, a seriedade do profissional, falar com amigos'', lembra a advogada Maíra Feltrin, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
Vergonha de pechinchar? Que nada! ''Faz bem pra saúde e para o bolso'', lembra Luisa. Pagar à vista, se possível, e fugir dos crediários, é outra dica. ''A pechincha não é apenas vantajosa para o consumidor, ela estimula o mercado de consumo'', opina a advogada do Idec.
Fique atento à conversa do vendedor. Se ele o convencer de que a compra é vantajosa, não se esqueça de exigir, por escrito, tudo o que foi dito. O papel serve de prova em caso de descumprimento à oferta (artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor). E, por último, exija seus seus direitos. ''O CDC traz como pressuposto que os produtos devem ser seguros e sem defeitos, ou seja, eficientes. As empresas devem ter essa preocupação'', diz Maíra.
Por isso, reclame se o serviço não for executado no prazo, se o produto tiver defeito. É assim que se aprende a ser um consumidor consciente.

mockup