Albari RosaFiscalizaçãoPolicial Federal faz vistoria para checar quais pneus tinham a identificação de produto destinado à exportação Fiscais da Receita Federal e policiais federais terminaram ontem a apreensão de um lote de dois mil pneus que podem ter sido contrabandeados do Paraguai. A mercadoria foi encontrada em quatro depósitos da empresa Ciro Pneus, em Curitiba, que estava vendendo irregularmente o produto. Os pneus são produzidos pela fábrica Goodyear, mas se destinam apenas para exportação. A comercialização deles dentro do País está proibida.
A loja vendia os pneus para carro e caminhão com preços abaixo dos cobrados pela fábrica, o que chamou a atenção da fiscalização. Houve uma denúncia para a Receita Federal e a Polícia Federal iniciou a investigação. Na sexta-feira, foram lacrados os depósitos da Ciro Pneus e 540 unidades foram levadas para o prédio da Receita. Um dos depósitos era da Grid Pneus e estava alugado para a Ciro.
O delegado Eduardo Teixeira, da Polícia Federal, poderá abrir inquérito para apurar a responsabilidade pelo possível contrabando e venda de produto contrabandeado. Até agora não foi descoberto como a empresa operava e nem quem são os responsáveis pelo suposto crime. ‘‘Não sabemos ainda como estes pneus, que são destinados à exportação, estavam sendo vendidos aqui’’, afirmou Teixeira.
Ele trabalha com duas hipóteses: ou os pneus eram levados até o Paraguai e retornavam de forma ilegal, sem pagar impostos, ou apenas as guias de exportação eram enviadas até a fronteira, enquanto a carga fica escondida no País. Como há pneus sujos com pó vermelho (típico da região Oeste do Paraná e do Paraguai) e com farelo de soja, os policiais suspeitam que parte da mercadoria chegou a sair do País, talvez escondidos em caminhões que transportam soja do Paraguai. A Goodyear exporta também para a Bolívia.
Segundo o delegado responsável pela investigação, até agora não há indícios de que a fábrica de pneus esteja envolvida. ‘‘Parece que não há envolvimento, pois a Goodyear está predisposta a identificar os responsáveis pelo contrabando’’, afirmou Eduardo Teixeira.
O dono da Ciro Pneus, Cironi Antonio Cavagnoli, negou que esteja vendendo produto contrabandeado, ao ser questionado pelos policiais. O delegado informou que ele teria dito que apenas ‘‘comprou a mercadoria dos fornecedores sem saber a sua procedência’’. A Folha tentou falar por telefone com Cavagnoli, mas foi informada que ele não estava na empresa e não retornaria. O empresário passou o dia acompanhando o trabalho feito pelos policiais federais no depósito da Ciro Pneus.

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