Londrina - Para reduzir a inadimplência dos cheques, a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) está encabeçando uma campanha para ''moralizar'' a emissão dos talonários. Segundo Valmor Rovaris, superintendente da associação estadual, a sugestão é que os bancos passem a garantir os cheques emitidos por seus clientes com valor inferior a R$ 2 mil. ''Se os bancos fossem obrigados a garantir o valor emitido do cheque eles teriam mais cuidado e não ofereceriam talões para qualquer um. Do jeito que está, os comerciantes é que estão arcando com os prejuízos'', argumenta.
Embora não tenha dados oficiais, a Apras afirma que a inadimplência dos cheques cresce todos os anos. No entanto, a modalidade de pagamentos com os talonários vem caindo, enquanto crescem as compras pagas com cartões de crédito, débito ou próprios das redes. Nos últimos quatro anos, as compras pagas com os cheques caíram 28% no Paraná. ''Isso demonstra que os clientes - principalmente os com potencial de crédito maior - estão migrando para outras modalidades de pagamento. Os comerciantes preferem receber com cartão porque o risco do cheque supera o custo do cartão'', diz Rovaris.
Além disso, o superintendente da Apras afirma que o recebimento dos cheques demanda um custo operacional maior, uma vez que os empresários têm que contratar seguranças e investir em transporte de valores para não correr o risco de serem roubados.
Supermercados - Consultas à Serasa e ao SCPC e a rejeição a cheques pré-datados são algumas das armas dos supermercadistas de Londrina para tentar baixar os índices de inadimplência. O presidente da Rede Ales, Luiz Cláudio Depieri Vicente, diz que no seu estabelecimento - localizado no Jardim Ana Rosa, em Cambé - são aceitos somente cheques pré-datados de empresas e clientes já conhecidos.
''Só aceito cheques à vista porque sou obrigado'', afirma Vicente. Pelo Código Comercial, o cheque é considerado uma ordem de pagamento à vista. ''Prefiro perder as vendas. De dez clientes novos que aceito cheque, pelo menos um volta'', estima Vicente. Ele diz preferir vendas pagas com cartões, seja de operadoras ou o próprio da rede.
Já o presidente da Rede Econômica de Supermercados, Francisco Jorge Ferreira, diz que recorre às consultas ao SCPC e à Serasa para tentar inibir a emissão de cheques de fundos. ''É uma medida paleativa porque hoje o cliente pode estar com o nome limpo mas, amanhã, ele pode já não ter crédito'', avalia. Segundo ele, alguns dos comerciantes associados à rede registram índices de inadimplência superior a 25%.

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